A ideia de que poucos minutos de treino já bastam para proteger o coração ganhou um novo capítulo após um estudo indicar que benefícios mais expressivos podem exigir até 10 horas semanais de exercícios.
Quanto tempo de treino para proteger o coração?
Uma pesquisa publicada na revista científica BMJ analisou dados de mais de 17 mil pessoas e concluiu que a prática de exercícios em níveis mais elevados pode reduzir de forma significativa os riscos cardiovasculares. O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Macao Polytechnic University.
Segundo os cientistas, atividades físicas entre 560 e 610 minutos por semana, o equivalente a quase 10 horas, foram associadas a uma redução superior a 30% no risco de problemas cardíacos. Apenas 12% dos participantes atingiram esse nível.
Qual a recomendação da OMS?
Atualmente, a Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada. O novo estudo não descarta essa orientação, mas sugere que resultados mais robustos podem exigir maior dedicação.
Os pesquisadores observaram que pessoas que cumpriam os 150 minutos semanais apresentaram até 9% menos risco cardiovascular. Já os benefícios considerados “substanciais” apareceram em quem treinava muito mais tempo durante a semana.
Pesquisa acompanhou voluntários por quase oito anos
Os dados utilizados vieram do banco britânico UK Biobank, com informações coletadas entre 2013 e 2015. Os participantes tinham média de idade de 57 anos, sendo 56% mulheres e a maioria composta por pessoas brancas.
Durante sete dias consecutivos, os voluntários utilizaram dispositivos no braço para registrar os níveis de atividade física. Depois disso, eles foram acompanhados por aproximadamente 7,8 anos para monitorar possíveis eventos cardiovasculares.
Por que pessoas sedentárias enfrentam mais dificuldade?
Os pesquisadores destacaram que indivíduos sedentários precisaram realizar entre 30 e 50 minutos extras de exercício semanal em comparação com pessoas já acostumadas à prática regular de atividades físicas. Entre os fatores considerados pelos cientistas durante a análise estavam:
- Uso de álcool e tabaco
- Índice de massa corporal
- Pressão arterial
- Frequência cardíaca em repouso
- Histórico de saúde anterior
Estudo tem limitações importantes
Apesar dos resultados, os pesquisadores alertam que o trabalho é do tipo observacional. Isso significa que o estudo identifica uma associação entre exercício físico e redução de risco cardíaco, mas não comprova relação direta de causa e efeito.
Os cientistas também apontam que os participantes podem ser mais ativos do que a população em geral. Além disso, exercícios leves e o tempo sedentário diário não foram medidos durante a pesquisa.
Qual a importância de recomendações mais personalizadas?
Os autores do estudo acreditam que futuras orientações sobre atividade física podem considerar o nível de condicionamento de cada indivíduo. A proposta seria adaptar metas de treino conforme a realidade física de cada pessoa.
Mesmo assim, os pesquisadores reforçam que a recomendação atual da OMS segue válida como ponto de partida. A prática regular de exercícios continua sendo uma das principais estratégias para melhorar a saúde cardiovascular e reduzir riscos ao coração.