De 14.985 habitantes em 1940 para 243.367 em 2022, Dourados cresceu quase 2.000% e se firmou como a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul. Impulsionada pela terra roxa que atraiu migrantes do Sul e Sudeste, hoje combina agronegócio moderno, qualidade de vida, universidades e o hábito regional de tomar tereré no fim da tarde.
Vale a pena viver na maior cidade do interior do estado?
Os indicadores mostram que sim. Dourados tem IDH de 0,747, o 3º maior do estado, sustentado por bons níveis de educação e renda. A estimativa do IBGE para 2025 aponta cerca de 264 mil habitantes, enquanto o PIB já ultrapassa R$ 7 bilhões, ocupando a terceira posição estadual, com destaque para o agronegócio, comércio e serviços.
A cidade também se destaca pelo ensino superior. Instituições como a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), a Unigran e o IFMS atraem estudantes de várias regiões do país. A UFGD, criada em 2005 a partir de um campus da UFMS ativo desde 1971, reforça esse polo educacional. Na saúde, estruturas como o Hospital da Vida e o Hospital Universitário da UFGD atendem moradores de dezenas de municípios, incluindo cidades da fronteira com o Paraguai, a cerca de 120 km de distância.
Da ocupação inicial ao protagonismo no agronegócio
Muito antes da formação da cidade, a região já era habitada pelos povos Guarani, Kaiowá e Terena. Em 1861, o tenente Antônio João Ribeiro comandava uma colônia militar às margens do rio que mais tarde daria nome a Dourados. A criação oficial veio em 1935, após o desmembramento de Ponta Porã, mas o verdadeiro salto aconteceu em 1943, com a implantação da Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND), dentro da política da Marcha para o Oeste, promovida por Getúlio Vargas. Com cerca de 409 mil hectares, o projeto atraiu migrantes de diversas regiões do país, além de imigrantes japoneses.
Nas décadas seguintes, produtores vindos do Sul trouxeram técnicas mais avançadas de cultivo, ampliando a área agrícola de 3.500 para 134 mil hectares. Esse crescimento consolidou Dourados como um dos principais polos agrícolas da região. Em um momento marcante, na década de 1960, a cidade chegou a ser a mais populosa do então estado de Mato Grosso, superando Campo Grande e Cuiabá.
O vídeo é do canal Cidades do Interior, que conta com mais de 370 mil inscritos, e apresenta a força do agronegócio, as opções de ensino superior e áreas de lazer como o Parque Antenor Martins:
Quais bairros escolher para viver?
O centro concentra comércio e serviços, enquanto bairros mais novos crescem com planejamento e áreas verdes.
- Jardim dos Estados e Vila Progresso: bairros consolidados próximos ao centro, com comércio forte e fácil acesso à Avenida Marcelino Pires, principal corredor da cidade.
- Parque Alvorada: residencial e arborizado, valorizado pela proximidade com a UFGD e o Hospital Universitário.
- Jardim Água Boa: em expansão, com novos empreendimentos e acesso rápido à região oeste.
- Centro: vida comercial intensa, Praça Antônio João ao lado da Catedral Imaculada Conceição, feiras e serviços a pé.
- Região do Parque dos Ipês: entorno do principal parque urbano, com pista de caminhada, Teatro Municipal e biblioteca.
O custo de vida é competitivo em relação a Campo Grande. O mercado imobiliário acompanha o crescimento populacional, que registrou avanço de 7% na última estimativa do IBGE.
Tereré no parque e figueiras centenárias na avenida
Os parques são o coração da vida social. Ao fim da tarde, famílias se espalham pelos gramados com cuias de tereré e crianças nas quadras.
- Parque dos Ipês: principal área verde, com pista de caminhada, teatro, biblioteca e feiras culturais às terças e sextas.
- Parque Antenor Martins (Parque do Lago): lago com campeonatos de pesca, quadras esportivas e amplo gramado na região oeste.
- Figueiras da Avenida Presidente Vargas: árvores centenárias tombadas como patrimônio histórico pelo Decreto Municipal nº 75/1985. Formam um túnel verde que virou símbolo da identidade urbana.
Quando o clima favorece cada atividade na região?
O clima é tropical com estação seca, verões quentes e invernos amenos. A altitude de 430 m suaviza as temperaturas em relação ao restante do estado.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme frentes frias no inverno.
Como chegar ao principal polo do sul do estado
Dourados está a cerca de 198 km de Campo Grande, com acesso pela BR-163 em uma viagem de aproximadamente 3h30 de carro. A cidade também conta com o Aeroporto Municipal, que recebe voos regulares da capital. Pela BR-463, é possível seguir até Ponta Porã e a fronteira com o Paraguai, a cerca de 120 km. Já o terminal rodoviário conecta o município a destinos em São Paulo, Paraná e outras regiões de Mato Grosso do Sul.
Uma cidade que cresce sem perder a essência
Mesmo em expansão, Dourados mantém hábitos típicos do interior, onde o tereré ainda é compartilhado nas calçadas e o convívio entre vizinhos faz parte da rotina. As figueiras que acompanham as avenidas, os espaços da UFGD e os silos de soja no horizonte contam a história de um lugar que recebeu gente de diferentes regiões e transformou a terra roxa em desenvolvimento.
Caminhar pela Avenida Presidente Vargas, sob o túnel formado pelas árvores, é uma forma simples de entender por que tantos escolhem Dourados como lugar para viver.