Às margens do Rio Tocantins, a cerca de 630 km de São Luís, Imperatriz cresceu entre o Cerrado e a Floresta Amazônica e se tornou a principal porta de entrada aérea para a Chapada das Mesas. Conhecida como Princesa do Tocantins e Portal da Amazônia, a cidade mistura praias fluviais, forte influência cultural de diferentes estados e um dos maiores polos econômicos do interior maranhense.
O povoado criado por um frei que virou potência do sul maranhense
Frei Manuel Procópio do Coração de Maria fundou o povoado em 16 de julho de 1852 com o nome de Santa Teresa do Tocantins. Poucos anos depois, a Lei nº 398, de 27 de agosto de 1856, transformou o local em Vila Nova de Imperatriz, homenagem à imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II.
Muito antes disso, bandeirantes paulistas já atravessavam a região entre os séculos XVI e XVII em busca de novas rotas e riquezas. O crescimento acelerado veio somente após a construção da rodovia BR-010 (Belém-Brasília), em 1958, que conectou o sul do Maranhão ao restante do país e atraiu migrantes de estados como Goiás, Minas Gerais e Pará.
Essa mistura moldou a identidade de Imperatriz. O sotaque, a culinária e as festas populares carregam influências maranhenses, goianas, mineiras e paraenses. Hoje, a cidade concentra o maior contingente populacional do interior do estado e funciona como principal centro econômico do sul maranhense.
As praias que o rio revela e a cheia esconde
Entre junho e setembro, o nível do Rio Tocantins baixa e extensos bancos de areia branca emergem das águas, formando praias de água doce que são o principal atrativo turístico da cidade. Na cheia, elas desaparecem completamente.
- Praia do Cacau: a mais famosa, com estrutura de barracas, quiosques e gastronomia regional. Mesas e cadeiras parcialmente imersas na água são o cenário clássico para assistir ao pôr do sol com uma bebida na mão.
- Praia do Meio: ilha que surge no meio do rio, a cerca de 500 metros do leito. Visível do centro da cidade, acessível de barco.
- Praia da Bela Vista: do outro lado do rio, em São Miguel do Tocantins. Chega-se de balsa ou barco, o que torna a travessia parte do passeio.
- Praias do Carinho e do Amor: após a Ponte Dom Affonso Felippe Gregory, são consideradas as mais bonitas, na beira do rio com vista para a ponte estaiada.
Imperatriz é a maior cidade do interior do Maranhão e a segunda mais populosa do estado. O vídeo do canal Cidades & Cia, com 145 mil inscritos, destaca a cidade como o “Portal da Amazônia” e a “Princesa do Tocantins”, ressaltando sua força econômica no comércio, serviços e construção civil, além de ser um importante polo universitário e de integração nacional.
Panelada de costas para a rua e espetinhos nas esquinas
A gastronomia de Imperatriz é um retrato da miscigenação. O prato mais emblemático é a panelada, feita das tripas, do estômago e dos pés do boi, servida nas barraquinhas das Quatro Bocas, na Avenida Bernardo Sayão. Uma tradição curiosa: os bancos ficam voltados de costas para a rua. Quem come panelada em Imperatriz come olhando para dentro, não para fora.
À noite, churrasqueiros montam pontos de espetinhos em esquinas pelo centro e pelos bairros, com carne, frango, linguiça e medalhão servidos com farinha, macaxeira e arroz. Peixes de água doce como o tucunaré dominam os restaurantes da orla. A Beira Rio, avenida de mais de 600 metros que margeia o Tocantins, concentra quiosques, restaurantes e até um restaurante flutuante atracado à margem.
A porta de entrada para a Chapada das Mesas
Imperatriz é a principal base aérea para quem quer conhecer a Chapada das Mesas, em Carolina, a 220 km. O Parque Nacional da Chapada das Mesas é um dos destinos de ecoturismo mais espetaculares do Maranhão, com montanhas em formato de platô, cachoeiras que despencam de paredões de arenito e a vegetação de transição entre Cerrado e Amazônia.
No entorno de Imperatriz, cachoeiras como a das Três Marias, a do Macapá e a da Pedra Caída complementam o roteiro para quem não segue até Carolina. A cidade ainda abriga o Teatro Ferreira Gullar (homenagem ao poeta maranhense), a Praça da Cultura com a Academia Imperatrizense de Letras e o Centro de Artesanato.
Quando ir a Imperatriz e como é o clima?
O clima é tropical quente o ano inteiro, com duas estações bem definidas. As praias de rio só existem no período seco. As cachoeiras ficam mais volumosas no chuvoso.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Princesa do Tocantins
O Aeroporto Prefeito Renato Moreira (IMP) recebe voos diretos de Brasília, São Luís, Belém, Belo Horizonte e São Paulo. Por terra, Imperatriz fica a 630 km de São Luís pela BR-222 (cerca de 11 horas) e a 220 km de Carolina (Chapada das Mesas). A BR-010 (Belém-Brasília) corta a cidade e conecta ao Norte e ao Centro-Oeste. Transfers e agências locais fazem o trajeto até a Chapada das Mesas. Carro alugado é a melhor opção para montar roteiro próprio.
Mergulhe no rio que deu nome à princesa
Imperatriz é a cidade que um frei fundou, uma imperatriz batizou e uma rodovia transformou. O rio que banha a orla esconde praias inteiras sob a água durante metade do ano e as revela na seca, com barracas, cadeiras e mesas dentro d’água. A panelada se come de costas para a rua, o espetinho aparece nas esquinas ao anoitecer e a Chapada das Mesas espera a 220 km com cachoeiras que despencam de platôs.
Você precisa ir à Praia do Cacau quando o Tocantins baixar, sentar com os pés na água, pedir um peixe frito e olhar o pôr do sol pintar o rio de laranja para entender por que a Princesa do Tocantins conquistou gente de todo o Brasil.