A investigação da polícia revelou um possível esquema sofisticado de movimentação de dinheiro ligado ao PCC, com uso de aeronaves e empresas para dificultar o rastreamento.
O que revelam as mensagens do celular apreendido?
Conversas extraídas do aparelho de João Gabriel de Melo Yamawaki indicam o envio de grandes quantias em espécie para Brasília, muitas vezes transportadas por helicópteros. Ele é apontado como operador financeiro do PCC.
Os diálogos mostram tratativas com o empresário Adair Antônio de Freitas Meira, incluindo pedidos logísticos e confirmações de pagamentos. A polícia acredita que as mensagens evidenciam um fluxo contínuo de dinheiro fora do sistema bancário tradicional. As informações são do Metrópoles.
Como funcionava o esquema financeiro do PCC investigado?
Segundo a investigação, valores eram transferidos inicialmente para a fintech 4TBANK, por meio de boletos considerados suspeitos. Empresas e fundações ligadas a Meira teriam participado desses pagamentos.
Depois disso, o dinheiro retornava em espécie ao empresário, muitas vezes transportado por aeronaves fretadas. A prática, de acordo com os investigadores, dificultava o rastreamento da origem dos recursos.
Quais valores e movimentações chamaram atenção da polícia?
As autoridades identificaram operações milionárias ao cruzar mensagens com dados do COAF. Um dos episódios mais relevantes envolveu o saque de R$ 1,38 milhão em dinheiro vivo. Entre os principais pontos levantados estão:
- Pagamento inicial de R$ 100 mil à fintech em 2021
- Cobrança adicional de R$ 18,1 mil referente a custos da operação
- Saques fracionados realizados em quatro datas diferentes
- Entregas que poderiam chegar a R$ 2,5 milhões em espécie
Como ocorriam as entregas de dinheiro em Brasília?
Mensagens mostram que encontros presenciais eram organizados na capital federal. Em um dos casos, Yamawaki informa chegada ao aeroporto, enquanto Meira organiza a recepção.
Em outro trecho, há menção ao transporte de uma “bolsinha”, interpretada pela polícia como possível entrega de valores. Os investigadores afirmam que terceiros envolvidos sabiam que algo seria repassado diretamente ao destinatário final.
Onde mais ocorreram encontros e entregas suspeitas?
Além de Brasília, há indícios de reuniões em São Paulo e em Palmas, no Tocantins. Um encontro na capital paulista teria relação com a entrega de cerca de R$ 570 mil em espécie.
Já em um posto de combustível ligado à família de Yamawaki, a polícia aponta uma possível entrega de R$ 2,5 milhões. O episódio foi descrito como parte do “caminho de volta do dinheiro”.
O que diz a defesa do empresário investigado?
A defesa de Adair Meira negou qualquer ligação com atividades ilícitas ou organizações criminosas. Em nota, os advogados classificaram as acusações como frágeis e baseadas em interpretações questionáveis.
Os representantes afirmam que não há provas concretas sobre transporte de dinheiro em espécie e destacam que o empresário pretende colaborar com as autoridades. Segundo a defesa, todos os fatos serão esclarecidos ao longo da investigação.