Aliados do senador Flávio Bolsonaro voltaram a pressionar integrantes do governo dos Estados Unidos para retomar sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, ao mesmo tempo em que comemoraram a decisão americana de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Paulo Figueiredo confirma pedido de sanções contra Moraes?
O empresário Paulo Figueiredo afirmou que pediu em todas as reuniões realizadas nos Estados Unidos a retomada das punições contra Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, usada para aplicar restrições financeiras e impedir entrada no país.
Segundo ele, a articulação foi conduzida apenas por ele e pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, enquanto Flávio Bolsonaro preferiu não atuar diretamente no tema. Figueiredo declarou que continuará defendendo a medida junto ao governo americano. As informações são da Folha de SP.
Reuniões em Washington aproximaram aliados de Trump
Durante a viagem aos Estados Unidos, os aliados da família Bolsonaro participaram de encontros na Casa Branca e também conversaram com integrantes da diplomacia americana ligados ao presidente Donald Trump. Entre as autoridades presentes nas reuniões estavam:
- Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA
- Christopher Landau, secretário-adjunto de Estado
- Integrantes da equipe diplomática americana
- Representantes ligados ao movimento conservador nos EUA
Como a classificação de PCC e CV virou trunfo político?
Paulo Figueiredo afirmou que a decisão dos Estados Unidos colocou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma posição desconfortável no cenário internacional.
O empresário classificou a medida como um “golaço político” para o grupo bolsonarista e disse que o tema pode fortalecer a pré-campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro. Para ele, a nova postura americana amplia a pressão sobre o governo brasileiro.
Governo Lula reage e critica possibilidade de intervenção
O governo federal reagiu às declarações e criticou qualquer tentativa de usar o combate ao crime organizado como justificativa para interferência estrangeira no Brasil.
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o crime organizado precisa ser combatido, mas destacou que cooperação internacional deve respeitar a soberania nacional. Em nota, ele declarou que “pretextos para intervenção” são considerados inaceitáveis.
Eduardo Bolsonaro já defendia retorno da Magnitsky?
A possibilidade de retomada das sanções contra Alexandre de Moraes já vinha sendo defendida por Eduardo Bolsonaro desde a realização da CPAC, principal conferência conservadora dos Estados Unidos.
Na ocasião, Eduardo afirmou que as restrições poderiam voltar “por vontade do presidente Trump”. Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, chegaram a ser alvo das medidas anteriormente, mas as punições acabaram revertidas no fim do ano passado.
Como funciona a Lei Magnitsky?
A Lei Magnitsky é um mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para impor sanções contra autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos ou práticas consideradas ilegais pelo governo americano.
Entre as punições previstas estão bloqueio de bens em território americano, restrições financeiras e impedimento de entrada nos Estados Unidos. O tema voltou ao centro do debate político após as recentes articulações de aliados bolsonaristas em Washington.