Em Morro de São Paulo, na Ilha de Tinharé, o desembarque acontece debaixo de um portal de fortaleza do século XVII. Distrito de Cairu, a 60 km ao sul de Salvador, a vila baiana trocou o asfalto por areia, os semáforos por marés e numera as praias de 1 a 5.
De refúgio de piratas a um dos maiores fortes coloniais do Brasil
A ilha foi batizada por Martim Afonso de Sousa em 1531 com o nome tupi Tinharé, que significa “aquela que avança sobre o mar”. A posição estratégica na entrada da Baía de Todos os Santos atraiu corsários holandeses e franceses ao longo dos séculos XVI e XVII, e a coroa portuguesa decidiu reagir.
Em 1630, o governador-geral Diogo Luiz de Oliveira ordenou a construção da Fortaleza de Tapirandu, erguida com pedras e óleo de baleia. O conjunto preserva hoje 678 metros de cortina de muralhas e foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938. Segundo o IPATRIMONIO, é considerado um dos maiores sistemas defensivos do Brasil colonial.
O que fazer entre as cinco praias numeradas da ilha?
A faixa de areia se estende em sequência ao longo da costa leste, cada praia com personalidade própria. A locomoção é a pé na maré baixa ou de barco em qualquer momento.
- Primeira Praia: 315 metros de extensão e ponto de queda da tirolesa do Farol, com piscinas naturais na maré baixa e ondas para o surfe em algumas épocas.
- Segunda Praia: a mais agitada, concentra os luaus noturnos, restaurantes e barracas com música ao vivo.
- Terceira Praia: ponto de partida das lanchas para os passeios e equilíbrio entre estrutura e tranquilidade.
- Quarta Praia: eleita a 16ª melhor praia do mundo em 2024, com piscinas naturais e atmosfera mais reservada, ideal para famílias.
- Quinta Praia (do Encanto): a mais isolada, quase deserta, indicada para quem busca silêncio absoluto.
As águas cristalinas e a atmosfera vibrante fazem de Morro de São Paulo um dos destinos mais cobiçados da Bahia. O vídeo é do canal Vamos Fugir Blog, com 273 mil inscritos, e detalha os melhores passeios, roteiros e dicas práticas de preços para aproveitar a ilha:
A tirolesa do Farol cai direto no mar a partir de 50 metros
Do alto do Morro do Farol, um cabo de aço de cerca de 340 metros leva o aventureiro até a Primeira Praia. A descida começa a 50 metros de altura e termina dentro da água, em um dos voos mais procurados do litoral nordestino.
O mesmo morro abriga a igreja Nossa Senhora da Luz e o mirante natural com vista para as quatro primeiras praias. Na subida, vale parar nas ruínas da fortaleza para entender por que a vila foi tão disputada por invasores europeus.
Quais passeios ficam fora do circuito da vila?
Boipeba e Garapuá são as escapadas mais procuradas. Os barcos partem da Terceira Praia conforme a tábua de marés.
- Volta à Ilha com parada em Boipeba: passeio de dia inteiro com paradas em Moreré, na Cueira e em um bar flutuante onde se degusta ostras frescas.
- Piscinas naturais de Garapuá: vila de pescadores a 14 km do centro, com formato de ferradura e acesso por 4×4 ou lancha.
- Trilha até a Gamboa: caminhada pela costa na maré baixa com parada em paredão de argila para banho de lama.
- Observação de baleias jubarte: entre julho e outubro, as gigantes do mar migram para as águas quentes da Bahia.
- Pôr do sol na Toca do Morcego: bar suspenso na encosta do morro com música ao vivo e drinks no fim da tarde.
O que comer entre moqueca, lambreta e caipirinha de cacau?
A culinária mistura tradição baiana com o que o mar entrega no dia. Os restaurantes se concentram no centrinho da vila e na Segunda Praia.
- Moqueca baiana: peixe, camarão ou lagosta cozidos no azeite de dendê, leite de coco e pimenta, servida no prato de barro.
- Bobó de camarão: creme de mandioca com camarões refogados em dendê, acompanhado de arroz branco.
- Lambreta: molusco típico da região, grelhado com limão e manteiga, comum nos quiosques de praia.
- Acarajé: bolinho de feijão-fradinho frito no dendê, recheado com vatapá, caruru e camarão seco.
- Caipirinha de cacau com biribiri: combinação rara, encontrada nos bares da vila junto com versões de cajá, graviola e maracujá.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima tropical mantém o mar morno o ano inteiro. A alta temporada acontece no verão, e os meses secos do Nordeste rendem dias mais previsíveis para os passeios de barco.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Morro de São Paulo?
A ilha não tem ligação por estrada e exige travessia. A opção mais comum é o catamarã que sai do Terminal Marítimo Turístico em Salvador, atrás do Mercado Modelo, com cerca de 2h30 de viagem. Quem prefere voo direto pode embarcar para o Aeroporto de Valença (VAL), a 8 km do atracadouro, e completar o trecho em lancha de 20 minutos. Há também a alternativa semiterrestre, com van até Itaparica e lancha até a vila, em cerca de 3h30. Na chegada, todo visitante paga a Taxa por Uso do Patrimônio do Arquipélago.
Atravesse a baía e desembarque em outro tempo
Morro de São Paulo guarda fortaleza de quase quatrocentos anos, mar morno o ano todo e ruas de areia onde nenhum motor de carro disputa espaço. Poucos destinos brasileiros entregam essa combinação de história colonial e praia paradisíaca.
Você precisa atravessar a Baía de Todos os Santos e descobrir como uma vila com cinco praias numeradas e uma fortaleza tombada virou um dos refúgios mais cobiçados do litoral baiano.