O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, elevou sua proposta de devolução de recursos públicos para tentar convencer a Procuradoria-Geral da República a aceitar um eventual acordo de delação premiada.
Como Daniel Vorcaro aumenta oferta para tentar fechar delação?
Segundo informações divulgadas pelo G1, Daniel Vorcaro teria aumentado de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões a proposta de devolução aos cofres públicos. O movimento ocorreu após resistência da Polícia Federal em avançar nas negociações.
A tentativa do banqueiro busca reverter o cenário negativo criado após a rejeição inicial da proposta de colaboração. A avaliação dentro da PF é de que o conteúdo apresentado até agora não trouxe fatos inéditos suficientes para justificar um acordo amplo.
PGR cobra mais informações de Vorcaro
Mesmo com a ampliação da oferta financeira, integrantes da PGR indicaram aos advogados de Vorcaro que apenas elevar os valores não será suficiente. A equipe do procurador-geral Paulo Gonet quer um novo roteiro de delação.
De acordo com interlocutores ligados ao caso, a Procuradoria espera informações mais detalhadas e abrangentes. O entendimento é de que a colaboração precisa trazer elementos considerados relevantes para as investigações em andamento.
Como a PF rejeitou oficialmente a proposta do banqueiro?
A Polícia Federal formalizou na noite de quarta-feira, 20/5, a rejeição da delação apresentada pelo ex-dono do Banco Master. Integrantes da corporação consideraram o material “frágil” e parcialmente conhecido pelos investigadores.
Nos bastidores, investigadores apontam que Vorcaro tentou construir uma espécie de “delação seletiva”, omitindo temas sensíveis que já circulavam dentro das apurações conduzidas pela PF.
Quais pontos teriam ficado fora da delação?
Entre os assuntos que, segundo investigadores, não foram abordados inicialmente por Vorcaro, estão episódios considerados estratégicos pela investigação. A avaliação é que as omissões prejudicaram a credibilidade da proposta. Os principais pontos citados por integrantes da PF incluem:
- supostos pagamentos ligados ao filme “Dark Horse”;
- menções envolvendo o senador Flávio Bolsonaro;
- possível custeio de mesada ao senador Ciro Nogueira;
- informações financeiras que já estavam sob análise direta da corporação.
Por que a transferência na prisão aumentou tensão nas negociações?
Preso preventivamente desde 4 de março de 2026 durante a Operação Compliance Zero, Vorcaro ocupava uma sala especial na Superintendência da PF em Brasília. O espaço havia sido utilizado anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na última segunda-feira, 18, o banqueiro foi transferido para uma cela destinada a presos em trânsito na mesma unidade. Oficialmente, a PF afirmou que a mudança seguiu apenas normas internas de custódia.
Defesa vê piora no cenário para acordo com a PF
A defesa de Vorcaro interpretou a transferência como um primeiro indicativo de endurecimento por parte da Polícia Federal. Nos bastidores, o gesto foi visto como um sinal de que os investigadores não aceitariam os termos atuais da delação.
Agora, a estratégia do banqueiro passa por reformular completamente a proposta apresentada à PGR. O objetivo é tentar reabrir as negociações e evitar um isolamento ainda maior dentro das investigações federais.