Um novo “concreto limpo” desenvolvido com resíduo de casca de camarão promete revolucionar a construção sustentável ao unir desempenho mecânico, reaproveitamento de resíduos e ação antibacteriana.
O que é o novo “concreto limpo” desenvolvido com casca de camarão?
Pesquisadores da Escola Superior Politécnica do Litoral, em parceria com a Universidade de Buenos Aires, criaram um geopolímero reforçado com resíduos da indústria do camarão. O material combina zeólita natural do Equador com um biopolímero derivado da casca.
A proposta foi apresentada em 13 de abril de 2026 e busca alternativas ao cimento tradicional. O foco está em aplicações não estruturais, com melhor desempenho ambiental e funcional.
Como a quitosana da casca de camarão reforça o geopolímero?
O reforço do material vem da quitosana, um polímero natural obtido da quitina presente nas cascas de camarão. Ela é extraída por processo químico controlado a partir de resíduos da indústria pesqueira.
No estudo, pequenas concentrações entre 0,075% e 0,20% foram adicionadas ao geopolímero. Essa combinação melhora a ligação interna da matriz e influencia diretamente sua estrutura.
Por que a resistência pode aumentar até 67% nesse material?
Os testes laboratoriais mostraram que a resistência à compressão do material cresceu significativamente. O desempenho passou de cerca de 2,10 MPa para até 3,51 MPa, dependendo da formulação. Veja os detalhes:
Quais aplicações incluem o uso antibacteriano do material?
Além da resistência, o novo concreto apresenta atividade antibacteriana, abrindo espaço para aplicações em ambientes que exigem maior higiene. Isso amplia o potencial de uso em áreas urbanas e institucionais. A combinação de propriedades mecânicas e biológicas permite aplicações variadas, como:
- Painéis arquitetônicos para interiores e fachadas
- Telhas sustentáveis com maior durabilidade
- Revestimentos urbanos de alto contato
- Superfícies para hospitais e escolas
- Estruturas em cozinhas industriais e espaços públicos
Esses usos se destacam especialmente pela ação contra bactérias como Klebsiella aerogenes e Staphylococcus aureus, associadas a infecções e contaminações em ambientes coletivos.
Como o concreto contribui para sustentabilidade e economia circular?
O desenvolvimento do material está diretamente ligado à redução do impacto ambiental da construção civil, setor responsável por cerca de 7% a 8% das emissões globais de CO₂. O uso de geopolímeros reduz a dependência do cimento Portland.
A proposta também fortalece a economia circular, ao transformar resíduos de camarão em insumo de alto valor. Isso diminui o descarte orgânico e amplia o aproveitamento de recursos naturais. Além disso, o uso de zeólitas locais reduz a necessidade de importação de matérias-primas, tornando o processo mais acessível para países da América Latina.