Muito se fala sobre o peso do Nordeste nas eleições presidenciais brasileiras, mas uma análise detalhada dos números de 2018 e 2022 revela uma realidade diferente: a região nordestina praticamente manteve o mesmo comportamento eleitoral nos dois pleitos.
A verdadeira mudança que alterou o rumo da disputa presidencial e levou Luiz Inácio Lula da Silva de volta ao Palácio do Planalto aconteceu em Minas Gerais.
Os dados mostram que o Nordeste permaneceu praticamente estável entre as duas eleições. Em 2018, Fernando Haddad obteve cerca de 69,7% dos votos válidos na região, enquanto Jair Bolsonaro ficou com 30,3%. Já em 2022, Lula registrou 69,34% contra 30,66% de Bolsonaro.
A diferença foi mínima, demonstrando que o Nordeste apenas repetiu o padrão eleitoral que já vinha consolidado há anos.
A grande virada ocorreu em Minas Gerais, estado historicamente considerado decisivo nas eleições presidenciais. Em 2018, Bolsonaro venceu Haddad no estado com ampla vantagem: aproximadamente 58,2% dos votos válidos contra 41,8% do petista. O cenário mudou drasticamente quatro anos depois.
Em 2022, Lula venceu Bolsonaro em Minas por margem apertada, alcançando cerca de 50,2% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro ficou com aproximadamente 49,8%. A mudança representou uma virada de quase 17 pontos percentuais em relação ao resultado anterior.
Nos números absolutos, a transformação foi ainda mais impactante. Haddad havia obtido cerca de 4,8 milhões de votos em Minas em 2018. Já Lula ultrapassou a marca de 6,1 milhões de votos em 2022. Isso significa que o campo petista ganhou aproximadamente 1,3 milhão de votos adicionais no estado mineiro.
Enquanto Bolsonaro manteve forte desempenho em regiões como Sul e Centro-Oeste, a perda de Minas Gerais acabou sendo fatal para o então presidente. Analistas políticos frequentemente apontam que quem vence Minas costuma vencer o Brasil, e em 2022 essa máxima voltou a se confirmar.
A leitura dos números deixa evidente que o Nordeste não foi o fator novo da eleição de 2022. O diferencial que mudou o resultado nacional foi a mudança do eleitorado mineiro. Sem a virada em Minas Gerais, Jair Bolsonaro provavelmente teria permanecido na Presidência da República.