No interior de Mato Grosso do Sul, Bonito tem rios que parecem aquários, grutas inundadas e o primeiro selo de ecoturismo Carbono Neutro do planeta. A cidade de pouco mais de 22 mil habitantes virou referência mundial em turismo sustentável.
Por que Bonito é o destino de ecoturismo mais premiado do Brasil?
A cidade venceu pela 19ª vez o prêmio Melhor Destino de Ecoturismo do Brasil em 2025, na votação da revista Viagem & Turismo da Editora Abril. O resultado considerou os votos de quase 12 mil pessoas e deixou para trás Fernando de Noronha e Foz do Iguaçu.
O reconhecimento mais raro veio em 2022, quando Bonito se tornou o primeiro destino de ecoturismo do mundo certificado como Carbono Neutro pelas Nações Unidas para o Clima. Entre janeiro e outubro de 2025, a cidade recebeu mais de 247 mil visitantes, número que cresce ano a ano em ritmo controlado.
Como funciona o sistema que protege os atrativos da cidade?
A resposta está no Voucher Único, modelo de gestão criado em Bonito e replicado em outros destinos do mundo. Para visitar qualquer atrativo, é preciso comprar o passeio em uma agência credenciada, com preço tabelado e horário marcado.
O sistema controla a capacidade de carga de cada lugar, evitando aglomeração e protegendo a fauna aquática. Vale reservar com antecedência, sobretudo para os passeios mais procurados como o Rio Sucuri, o Recanto Ecológico Rio da Prata e a Gruta do Lago Azul.
O canal Num Pulo retorna a Bonito, no Mato Grosso do Sul, após 8 anos, para mostrar as novidades e os clássicos desse que é o maior destino de ecoturismo do Brasil. O vídeo detalha um roteiro completo de 2026, incluindo dicas práticas de logística e novas atrações.
Quais são as flutuações mais procuradas da região?
Flutuar com snorkel em rios transparentes é o passeio que define a experiência. As águas filtradas pelo calcário da Serra da Bodoquena oferecem visibilidade que coloca Bonito entre os destinos com águas mais cristalinas do mundo.
- Flutuação no Rio Sucuri: percurso de 1.800 metros em águas que figuram entre as 10 mais cristalinas do planeta, ideais para iniciantes.
- Flutuação no Rio da Prata: trilha pela mata primária seguida de mergulho com snorkel, premiado pelo Traveller’s Choice.
- Aquário Natural Baía Bonita: nascente do Rio Formoso com peixes coloridos a poucos centímetros do visitante.
- Nascente Azul: balneário com flutuação curta, ideal para combinar com almoço típico no fogão a lenha.
O que ver dentro das grutas e dolinas da região?
O subsolo da Serra da Bodoquena guarda algumas das formações geológicas mais impressionantes do Brasil. A Gruta do Lago Azul, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), abriga uma das maiores cavidades inundadas conhecidas do planeta.
- Gruta do Lago Azul: descida de mais de 250 degraus até o lago de azul intenso iluminado pela luz natural do meio-dia.
- Buraco das Araras: maior dolina da América do Sul, em Jardim, com 100 metros de profundidade e 500 metros de circunferência, lar de araras-vermelhas.
- Abismo Anhumas: rapel mecanizado de 72 metros até um lago subterrâneo, com opção de bote, flutuação ou mergulho de cilindro.
- Gruta de São Miguel: passeio sobre passarela suspensa entre copas de árvores antes de descer entre estalactites e estalagmites.
- Lagoa Misteriosa: mais de 200 metros de profundidade comprovada, sem que se saiba até onde vai, com mergulho em águas azuis turquesa.
Onde encontrar cachoeiras e balneários?
Quando o calor aperta, os bonitenses e visitantes procuram as quedas d’água da região. As propriedades particulares funcionam como circuitos completos, com trilha, banho e almoço incluídos.
- Cachoeiras Boca da Onça: em Bodoquena, conjunto com a maior queda livre do Mato Grosso do Sul, de 156 metros.
- Estância Mimosa: trilha por sete cachoeiras com piscinas naturais e plataforma de salto de 6 metros.
- Parque Ecológico Rio Formoso: a 7 km do centro, com bote, boia-cross e tirolesa para o dia inteiro.
- Praia da Figueira: balneário com flutuação leve, stand up paddle e área para crianças.
O que se come depois de um dia na água?
A culinária bonitense mistura receitas pantaneiras, paraguaias e sul-mato-grossenses. O Rio Paraguai e os afluentes da região fornecem peixes que entram nos cardápios sem rodeios.
- Pintado à urucum: filé do peixe mais tradicional do Pantanal grelhado com tempero da semente vermelha.
- Pacu assado: servido inteiro, com farofa de banana e arroz carreteiro.
- Sopa paraguaia: bolo salgado de fubá, queijo e cebola, herança da fronteira.
- Pastel de jacaré: especialidade da Pastel Bonito, no centrinho da cidade.
- Chipa: pãozinho de queijo paraguaio servido nas padarias logo cedo.
Quando viajar para a capital do ecoturismo?
Bonito tem clima tropical com inverno seco. A baixa temporada coincide com a estação mais seca, quando as águas ficam mais transparentes e os passeios funcionam sem interrupção.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até Bonito?
Bonito fica a 290 km de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. O acesso terrestre é feito por rodovias asfaltadas pelas BR-060, BR-262 e MS-345. O Aeroporto Regional de Bonito opera voos diretos para São Paulo, com conexões para outras capitais.
Vá conhecer o destino que mudou o turismo brasileiro
Bonito é o tipo de lugar que justifica cada quilômetro percorrido. As águas transparentes, o silêncio das grutas e o cuidado com cada visitante fazem da cidade um exemplo raro de turismo bem feito no Brasil.
Você precisa visitar Bonito pelo menos uma vez para entender o que é flutuar entre peixes em rios que parecem ter sido pintados.