O empresário Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, ofereceu pagar R$ 1 bilhão ao Estado de São Paulo para viabilizar um acordo de delação premiada, em meio a investigações de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.
Quem é Beto Louco e por que ele está sendo investigado?
Beto Louco é apontado como figura central em um esquema bilionário de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro. As irregularidades foram reveladas na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada no ano passado.
A Justiça decretou sua prisão, e ele está foragido, mesmo mantendo contato frequente com advogados. Segundo relatos, ele passou semanas articulando os termos da proposta de colaboração com sua defesa. As informações são da Folha de SP.
O que prevê a proposta de delação premiada?
Nos documentos já entregues ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), o empresário se compromete a revelar detalhes amplos do esquema. A proposta inclui não apenas confissões, mas também informações sobre terceiros envolvidos. Entre os principais pontos da colaboração, estão:
- Identificação de servidores públicos envolvidos
- Citação de magistrados ligados ao esquema
- Detalhamento de operações de lavagem de dinheiro
- Explicação sobre o funcionamento das fraudes fiscais
- Pagamento de R$ 1 bilhão em impostos devidos
Como o Ministério Público se divide sobre aceitar o acordo?
A proposta gerou forte divergência interna no Ministério Público de São Paulo. Parte dos promotores, especialmente do interior, é contra a aceitação da delação.
Esses membros defendem que o acordo seja rejeitado imediatamente, argumentando que os benefícios oferecidos não compensam a gravidade dos crimes investigados.
Quando deve sair a decisão final?
A palavra final sobre o acordo deve ser dada pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. A expectativa é que a decisão aconteça ainda nesta semana.
O chefe do MPSP está em evidência após vencer eleições internas e deve ser reconduzido ao cargo pelo governador Tarcísio de Freitas, o que aumenta o peso político da decisão.
Qual a tentativa anterior na PGR?
Antes de procurar o Ministério Público paulista, Beto Louco tentou firmar acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não obteve êxito.
Mesmo foragido, ele segue atuando à distância com sua equipe jurídica. A estratégia atual é apostar na delação em São Paulo como caminho para reduzir penas e regularizar sua situação.