A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (1º/6) uma operação que investiga suspeitas de fraude em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que está sendo investigado na operação envolvendo o Instituto Conhecer Brasil?
A operação apura possíveis irregularidades em uma licitação envolvendo a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). O foco está na contratação de serviços de Wi-Fi em comunidades periféricas da capital paulista.
O instituto, representado por Karina Ferreira da Gama, também é apontado como responsável pela produtora Go Up Entertainment Ltda, o que ampliou o escopo da investigação por possível ligação entre recursos públicos e produção audiovisual. As informações são do portal Metrópoles.
Como funcionava o contrato de Wi-Fi?
Segundo as investigações, o termo de colaboração previa a instalação de pontos de internet em áreas periféricas da cidade. No entanto, a escolha do ICB levantou suspeitas desde o início do processo.
A polícia identificou que o chamamento público contou com participação exclusiva do instituto, que não possuía experiência em telecomunicações, atuando principalmente em eventos religiosos e feiras de livros.
Quais falhas foram encontradas na execução do projeto de conectividade?
As apurações apontam falhas graves na execução do contrato, incluindo atraso na entrega e discrepância entre o que foi pago e o que foi efetivamente realizado.
Antes de avançar para os principais problemas identificados, as autoridades destacaram inconsistências operacionais e financeiras relevantes:
- Apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos foram instalados
- Foram assinados três aditivos contratuais em curto intervalo de tempo
- Existência de pagamentos antecipados sem entrega proporcional do serviço
- Funcionamento efetivo de apenas seis pontos de Wi-Fi em determinado período
Onde está a suspeita de superfaturamento e falta de capacidade técnica?
Um dos pontos centrais da investigação é o possível superfaturamento no contrato. Segundo os dados apurados, a comparação com parâmetros de mercado indica uma discrepância significativa nos valores.
A Prodam, empresa pública de tecnologia, cobrava cerca de R$ 306 por ponto de manutenção mensal, enquanto o contrato com o ICB previa R$ 1.800 por ponto, valor considerado acima do padrão. Além disso, a polícia aponta que o instituto não possuía estrutura técnica compatível com o serviço contratado, reforçando indícios de irregularidade na escolha da entidade.
Há suspeita de desvio de recursos para produção do filme Dark Horse?
As investigações também analisam a possível ligação entre os recursos do contrato e a produção audiovisual do filme Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo os investigadores, há indícios de que valores públicos possam ter sido desviados para a produtora Go Up Entertainment Ltda, controlada por Karina Ferreira da Gama. Esses repasses seriam incompatíveis com a execução real do projeto de conectividade, o que levanta dúvidas sobre o destino final dos recursos.
Por que os pagamentos antecipados chamaram atenção das autoridades?
Outro ponto considerado crítico é a antecipação de valores expressivos sem a devida entrega dos serviços contratados. A Prefeitura teria liberado cerca de R$ 26 milhões antes da execução completa.
A apuração indica ainda que os pagamentos foram feitos com base em metas não cumpridas, o que reforça as suspeitas de irregularidades financeiras. A discrepância entre o que foi pago e o que foi efetivamente instalado é vista como um dos principais fatores que motivaram a operação policial.