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Início Justiça

Advogada contratada da J&F por R$ 11 milhões pagou comprador de cotas no resort ligado a Toffoli, revela jornal

Por Junior Melo
27/abr/2026
Em Justiça
Joesley Batista teria entrado em cena para viabilizar reunião entre Lula e Trump

Joesley Batista - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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A J&F e a JBS, controladas pelos irmãos Batista, realizaram repasses de mais de R$ 11 milhões a um pequeno escritório de advocacia em Goiânia, o que chamou atenção por causa da diferença entre o valor recebido e o faturamento declarado da profissional.

Como a JBS e a J&F pagaram R$ 11,5 milhões a um pequeno escritório de advocacia?

A movimentação financeira ocorreu em dezembro de 2023, quando as empresas transferiram cerca de R$ 11,5 milhões a um escritório de advocacia que, segundo registros, tinha faturamento mensal de aproximadamente R$ 9 mil. O caso foi identificado em relatório do Coaf.

Os repasses aconteceram em datas próximas e envolveram valores altos em sequência, levantando questionamentos sobre a natureza dos serviços jurídicos prestados e a proporcionalidade dos pagamentos feitos ao escritório. As informações são do jornal O Estadão.

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O que o Coaf identificou nas movimentações financeiras do escritório?

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que as transações não tinham documentação suficiente para justificar os valores movimentados. O órgão também destacou possível risco de lavagem de dinheiro.

O relatório indicou que o escritório apresentou entradas e saídas consideradas incompatíveis com sua estrutura financeira. Entre os pontos destacados estavam:

  • Transferências milionárias sem lastro detalhado de serviços
  • Movimentações consideradas atípicas para o porte do escritório
  • Operações financeiras realizadas em sequência em poucos dias
  • Indícios de circulação de valores para terceiros

Onde funciona o escritório citado nas transações milionárias?

O escritório da advogada Maísa de Maio Marciano está registrado em uma sala compartilhada no bairro Setor Sul, em Goiânia. O local funciona como espaço de coworking, com serviços de aluguel de salas e endereço fiscal.

Apesar disso, a estrutura chamou atenção por ser considerada simples diante do volume financeiro movimentado. O capital social informado na abertura da empresa era de apenas R$ 2 mil, mantendo perfil de pequeno escritório. Além disso, o histórico financeiro da profissional indicava faturamento médio de cerca de R$ 9 mil mensais.

O que aconteceu com a transferência ligada a Paulo Humberto Barbosa?

Parte dos valores recebidos pelo escritório teria sido transferida para o advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa. No mesmo dia em que ocorreu um dos repasses da J&F, houve uma saída de aproximadamente R$ 3,5 milhões.

Segundo o Coaf, essa movimentação ocorreu em sequência direta após o recebimento dos recursos das empresas. O destino do dinheiro chamou atenção por envolver um empresário com atuação em diferentes setores. Paulo Humberto Barbosa também ganhou visibilidade por negócios ligados a participação em empreendimentos imobiliários e relações com grupos empresariais, incluindo prestação de serviços para o ambiente corporativo.

Como JBS, J&F e BK Bank responderam às suspeitas levantadas?

Em nota, a JBS e a J&F afirmaram que os pagamentos se referem a serviços jurídicos efetivamente prestados, com emissão de notas fiscais e cumprimento de obrigações tributárias. As empresas, no entanto, não detalharam quais serviços foram realizados.

As companhias também disseram não ter controle sobre movimentações financeiras de terceiros após o recebimento dos valores, reforçando que seguem práticas de governança e auditoria interna. Já o BK Bank, citado em parte das operações, afirmou atuar apenas como intermediário de pagamentos e negou envolvimento direto com as transações.

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