Entre araucárias e neblina no amanhecer, Lages revela o clima típico da serra catarinense a cerca de 900 metros de altitude. Conhecida como “Princesa da Serra”, a cidade combina tradição e paisagens naturais, onde o dia costuma terminar ao redor do fogo de chão com chimarrão. Maior município de Santa Catarina em extensão territorial, Lages ocupa 2.637 km² de planalto e preserva uma forte identidade ligada ao campo e às raízes do Sul do Brasil.
Como é o cotidiano de quem vive na Princesa da Serra?
O dia a dia tem ritmo de cidade média com infraestrutura de polo regional. Lages concentra hospitais, universidades e shopping que atendem toda a Serra Catarinense, mas os bairros residenciais mantêm a calma de cidade pequena.
O morador convive com paisagens de campo e araucárias logo depois do anel urbano. Caminhar à noite no centro ainda é hábito comum, e o Parque Jonas Ramos, conhecido como Tanque, funciona como a sala de estar da cidade, com lago, pedalinho e encontros entre os pinheirais.
Os bairros mais procurados para morar em Lages
A cidade tem cerca de 160 mil habitantes e um mapa residencial dividido entre o centro revitalizado e bairros planejados espalhados pelo entorno. Os casarões antigos se misturam a loteamentos mais recentes, e a distância entre as pontas raramente passa de 15 minutos de carro.
- Centro: área revitalizada com comércio, bancos, restaurantes e proximidade da Catedral Diocesana de Lages. Preferido por quem quer resolver tudo a pé.
- Coral: bairro residencial consolidado, com praças arborizadas, escolas e ciclovias. Atrai famílias e profissionais liberais.
- Santa Mônica: região planejada, com ruas calmas e imóveis de médio e alto padrão. Perfil de condomínios horizontais.
- Guarujá: bairro tradicional com boa oferta de comércio local, supermercados e transporte público.
- São Cristóvão: concentra clínicas, hospitais e serviços de saúde, procurado por quem trabalha na área.
O vídeo é do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 1 milhão de inscritos, e explora a famosa Festa do Pinhão, a Catedral Diocesana construída em pedra e as paisagens da Coxilha Rica:
Uma cidade fundada do caminho do Sul
Lages foi fundada em 1766 como ponto de parada dos tropeiros que levavam gado do Rio Grande do Sul para São Paulo. Em 9 de setembro de 1820, por decreto de Dom João VI, o território foi transferido da capitania de São Paulo para a de Santa Catarina, segundo registro histórico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa origem tropeira moldou a identidade da cidade. O chimarrão circula nas praças, as cavalgadas seguem ativas e a gastronomia campeira se mantém firme depois de mais de dois séculos. Lages é considerada o berço do turismo rural no Brasil, com fazendas históricas que abriram as porteiras para hóspedes ainda nos anos 1980.
Ensino superior e a rotina dos estudantes
Lages é um polo universitário da serra. A Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC) oferece cursos de referência em medicina veterinária, agronomia e medicina. A Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) mantém o Centro de Ciências Agroveterinárias no município, e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) entrega formação técnica voltada às demandas regionais.
Essa rede atrai jovens de toda a Serra Catarinense e do norte do Rio Grande do Sul. O fluxo universitário aquece o comércio, movimenta os bares do centro e mantém viva a cena cultural da cidade.
Pinhão, costela no fogo de chão e a mesa serrana
A gastronomia local gira em torno da cultura tropeira e do pinhão, semente da araucária que é símbolo da região. A Festa Nacional do Pinhão, realizada anualmente, é um dos maiores eventos culturais do Sul do país e ocupa a cidade por vários dias.
- Costela no fogo de chão: assada por horas em espetos de ferro enterrados ao redor da brasa. Prato obrigatório nos galpões e nos eventos campeiros.
- Entrevero de pinhão: refogado farto com pinhão cozido, carne, linguiça e temperos. Combinação pedida o inverno inteiro.
- Paçoca de pinhão: pinhão socado no pilão com charque e farinha, receita herdada dos tropeiros.
- Quirera com charque: farinha de milho grossa cozida com carne seca e torresmo. Resiste nas cozinhas das fazendas históricas.
- Chimarrão: quase um quinto prato. A cuia passa de mão em mão em qualquer encontro, urbano ou rural.
Como é o clima de Lages ao longo do ano?
A cidade tem clima subtropical de altitude e está entre as mais frias do Sul. As geadas são frequentes no inverno e a neve aparece de tempos em tempos, principalmente em junho e julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Lages?
A cidade fica a cerca de 220 km de Florianópolis pela BR-282, cerca de três horas de carro. A BR-116 conecta Lages a Curitiba e ao Rio Grande do Sul. O Aeroporto Regional do Planalto Serrano, em Correia Pinto, fica a 30 km do centro e recebe voos regionais.
Vale a pena morar em Lages
A cidade combina o frio que quase ninguém tem no Brasil com a tranquilidade de um centro urbano que ainda conhece os vizinhos pelo nome. Poucos lugares no país equilibram tradição campeira, infraestrutura de polo regional e paisagem de planalto como a Princesa da Serra.
Você precisa passar um inverno em Lages e entender por que quem se acostuma com o fogo de chão e o cheiro de araucária raramente troca a serra pelo asfalto da capital.