O vilarejo de pescadores descoberto pelo turismo em 1985 virou um dos destinos mais desejados do Ceará. Jericoacoara fica dentro de um parque nacional, proíbe a circulação de carros e mantém o pôr do sol sobre a duna como ritual diário.
De aldeia de pescadores a queridinha internacional
Até meados de 1985, Jericoacoara era uma aldeia isolada entre dunas, sem luz elétrica, sem estrada e habitada por pouco mais de uma centena de pescadores. O acesso era feito apenas por trilhas na areia, no lombo de burro ou a pé.
A virada veio em 1994, quando o jornal norte-americano The Washington Post incluiu a praia entre as dez mais bonitas do mundo. A notícia correu, as reportagens multiplicaram e o vilarejo entrou no mapa dos viajantes internacionais. Hoje, Jeri é um dos principais destinos de férias do Brasil.
Por que os carros não podem circular dentro da vila?
A Vila de Jericoacoara está dentro do Parque Nacional de Jericoacoara, unidade federal com 8.863 hectares criada em fevereiro de 2002 e administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Por isso, os visitantes deixam o veículo em estacionamentos na entrada e caminham pelas ruas de areia. Não há iluminação pública convencional, o que preserva o céu estrelado e dá à vila um clima bucólico. A opção principal de deslocamento dentro do parque é por buggy, jardineira ou a pé.
Jericoacoara é um paraíso cearense que combina dunas imensas, lagoas de águas cristalinas e um pôr do sol inesquecível. O vídeo é do canal Trip Partiu, que apresenta roteiros detalhados pelos lados Leste e Oeste, além da Rota dos Cristais e dicas para economizar na vila:
O que fazer em Jericoacoara nos dias essenciais?
As atrações se dividem entre lado leste, lado oeste e a vila. Em três dias dá para conhecer o essencial, em cinco dá para aproveitar com calma.
- Duna do Pôr do Sol: ritual diário, todos sobem em fila para assistir ao sol desaparecer no mar.
- Pedra Furada: cartão-postal com formação rochosa em arco, acessível a pé só em maré baixa, 40 min de caminhada.
- Lagoa do Paraíso: lagoa de água cristalina em Jijoca de Jericoacoara, com redes dentro da água e estruturas de praia.
- Mangue Seco e Rio Guriú: passeio de canoa com avistamento de cavalos-marinhos (Hippocampus reidi).
- Tatajuba e Lagoa da Torta: litoral oeste com dunas móveis, tirolesa sobre a lagoa e travessia de balsa.
- Serrote e Farol: ponto culminante do parque, a 95 m de altura, com vista da vila e das dunas.
A meca do kitesurf do Nordeste brasileiro
Entre julho e janeiro, os ventos constantes transformam o litoral oeste cearense em um dos melhores destinos do planeta para esportes a vela. Jericoacoara é parada obrigatória na rota downwind que parte de Cumbuco e segue até Atins, no Maranhão.
Há divisão de território: o windsurf fica na praia central da vila e o kitesurf ocupa a área da duna a oeste. As melhores condições, porém, estão na Praia do Preá, a 6 km a leste, considerada a meca cearense do kite. Escolas de todas as faixas de preço operam nos dois lados do parque.
Peixe fresco, caipirinhas de frutas e jantares ao luar
A cozinha local gira em torno dos frutos do mar e das frutas tropicais. O ritmo é pé na areia, com cardápios curtos e bem executados.
- Peixada cearense: peixe fresco cozido com legumes, leite de coco e pimenta, servido com pirão e arroz.
- Moqueca de camarão: ensopado com leite de coco, tomate e dendê, em porções generosas.
- Baião de dois: arroz e feijão verde misturados com queijo coalho e carne de sol, clássico do sertão.
- Caipirinhas de frutas nativas: cajá, tamarindo e maracujá servidas nas barracas da rua principal.
A noite começa com fogueira na areia?
Sim. Sem iluminação forte, a vila escurece cedo e a praia vira extensão dos bares. A tradição do luau com fogueiras acesas na areia persiste, com samba, forró e reggae ao vivo em esquinas diferentes da vila.
A Rua Principal concentra bares, restaurantes e lojinhas de artesanato em fachadas baixas, sem sinalização luminosa. O visitante caminha entre palha, madeira e a luz fraca dos postes, com a sensação de que pouco mudou desde os primeiros viajantes que chegaram ali.
Quando é a melhor época para visitar Jericoacoara?
O clima é quente o ano todo, com chuvas concentradas entre fevereiro e maio. A alta temporada vai de julho a janeiro, quando os ventos favorecem o kitesurf e o sol domina o céu.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à vila sem asfalto no litoral cearense?
Jericoacoara fica a 300 km de Fortaleza. O trajeto mais comum é o transfer saindo do Aeroporto Internacional de Fortaleza até o estacionamento da vila, com baldeação para um veículo 4×4 no trecho final de areia. Há também o Aeroporto de Jericoacoara (JJD), em Cruz, a 35 km, com voos regionais de capitais selecionadas.
A praia que fez fama no Washington Post
Poucos destinos brasileiros mantêm a atmosfera rústica como Jericoacoara conseguiu. Ruas de areia, céu escuro, fogueira na praia e kite na orla fazem parte do mesmo pacote, mais de 30 anos depois da descoberta pelo turismo internacional.
Você precisa conhecer Jericoacoara e subir a Duna do Pôr do Sol pelo menos uma vez antes que o vilarejo mude definitivamente.