Em pleno deserto do oeste egípcio, longe da faixa verde às margens do Nilo, o governo do Egito decidiu criar, a partir de 1997, um novo eixo agrícola baseado em obras hídricas de grande escala, conhecido como Projeto Toshka, articulado ao chamado Novo Vale (New Valley Project).
Por que o Egito decidiu criar um novo vale agrícola no deserto ocidental?
A motivação para o Projeto Toshka está ligada à forte concentração populacional e produtiva nas margens do Nilo, em contraste com vastas áreas desérticas quase vazias. Governos egípcios, desde a segunda metade do século XX, discutem como aliviar essa pressão e ocupar o deserto ocidental com infraestrutura hídrica adequada.
O Novo Vale foi concebido como um eixo paralelo ao do Nilo, apoiado na água armazenada no Lago Nasser após a construção da Represa de Assuã. A proposta era irrigar novas terras, atrair produtores rurais, criar assentamentos e diversificar a base agrícola do país em áreas antes consideradas improdutivas.
Como o projeto no Egito busca redistribuir a produção?
A ideia central era abrir uma frente de ocupação no sudoeste do território, entre Assuã e a governança do Novo Vale, reduzindo a dependência da estreita calha do Nilo. Sob liderança do Ministério de Recursos Hídricos e Irrigação, então chefiado por Mahmood Abu Zeid, o projeto combinou modernização agrícola com promessa de novos assentamentos.
Relatórios técnicos e reportagens do início dos anos 2000 destacaram o caráter inédito de criar um polo agrícola em pleno deserto, mas também apontaram o alto consumo de água e energia para manter o sistema. Em 2026, o caso continua servindo de referência para políticas de expansão agrícola em ambientes áridos sob forte escrutínio ambiental. Veja detalhes do projeto no vídeo divulgado pelo canal Conhecimento Global no YouTube:
Como funciona o bombeamento de água do Lago Nasser no Projeto Toshka?
O componente mais sensível do Projeto Toshka é a retirada de grandes volumes de água do Lago Nasser por meio da Mubarak Pumping Station, uma estação de bombeamento de grande porte. Ela reúne 24 bombas de alta capacidade, com potência total em torno de 375 megawatts, capazes de elevar a água cerca de 50 metros acima do nível do lago.
A capacidade de bombeamento projetada gira em torno de 5,4 a 5,5 bilhões de metros cúbicos por ano, o que representa parcela relevante da água disponível no Egito. Para entender melhor a magnitude técnica e hídrica desse sistema, destacam-se alguns pontos:
- Potência instalada elevada, com centenas de megawatts dedicados exclusivamente ao bombeamento;
- Desnível hidráulico de aproximadamente 50 metros a ser vencido entre o lago e o canal;
- Fluxo anual previsto de bilhões de m³ retirados do Lago Nasser para irrigação;
- Dependência direta do regime de água do Nilo e de sua gestão internacional entre países da bacia.
Quais as dificuldades enfrentadas pelo Projeto Toshka no Egito?
Desde o anúncio, o Projeto Toshka foi organizado em fases, com previsão de aumento gradual das áreas irrigadas e ocupadas. Discursos oficiais no início dos anos 2000 falavam em converter grandes extensões do deserto em campos produtivos, embora muitas metas tenham variado e sofrido revisões diante de desafios técnicos e financeiros.
Declarações atribuídas a Mahmood Abu Zeid em 2001 indicavam cerca de 711 milhões de dólares já aplicados, com estimativa de chegar a algo próximo de 1,2 bilhão de dólares nas etapas iniciais. Esses valores ilustram o peso do Novo Vale na agenda egípcia, que enfrenta o dilema entre ampliar a fronteira agrícola e respeitar os limites da disponibilidade hídrica do Nilo. Veja os impactos do projeto:
Dificuldades do Projeto Toshka no Egito
Principais obstáculos enfrentados para criar um novo polo agrícola no deserto.
🌵 Clima árido extremo
💧 Escassez de água
🏗️ Custos elevados de infraestrutura
🌱 Baixa produtividade agrícola inicial
⚡ Problemas logísticos e de transporte
💰 Sustentabilidade econômica
Como o Canal Sheikh Zayed distribui a água do Novo Vale?
Uma vez bombeada, a água segue pelo sistema de canais conhecido como Canal Sheikh Zayed, principal corredor de distribuição no deserto. Estimativas mencionam extensão total próxima de 310 quilômetros, somando o tronco principal e os trechos de derivação para diferentes blocos de irrigação.
O canal principal teria cerca de 50 quilômetros, conectado a quatro grandes ramais de aproximadamente 22 quilômetros cada, projetados com grande largura e profundidade para garantir volume de transporte. Em síntese, o trajeto da água pode ser descrito em etapas sucessivas até alcançar os projetos agrícolas no deserto:
- Elevação da água na estação de bombeamento do Lago Nasser;
- Condução pelo canal principal em direção ao sudoeste;
- Divisão da vazão nos quatro ramais laterais;
- Distribuição final para projetos agrícolas específicos no deserto.