Segundo o Clarín, operação teria envolvido ao menos três jatos particulares e apoio de autoridades argentinas; secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou participação dos Estados Unidos.
Agentes dos Estados Unidos teriam assumido o controle de parte do aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, para facilitar a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) rumo aos Estados Unidos, segundo reportagem publicada pelo jornal argentino Clarín na sexta-feira (30).
De acordo com o periódico, representantes americanos coordenaram ações para garantir a decolagem do jato particular utilizado pelo político, assumindo parte das funções normalmente desempenhadas por agentes de segurança aeroportuária e funcionários da imigração. A publicação afirma ainda que ao menos três aeronaves privadas teriam sido contratadas para assegurar o sucesso da operação.
A versão, contudo, foi contestada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. No sábado (31), ele negou que os Estados Unidos tenham ajudado a organizar ou facilitado a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Operação teria envolvido assessores de Trump e autoridades argentinas
Além da suposta atuação de agentes americanos, o Clarín aponta que o estrategista político Jason Miller, aliado do presidente Donald Trump, teria ajudado a organizar o avião particular utilizado por Flávio. A informação também foi atribuída aos jornais americanos The New York Times e The Wall Street Journal.
Segundo a publicação argentina, o governo de Javier Milei também teria participado das articulações. O jornal afirma que Santiago Caputo, assessor do presidente argentino, foi enviado à região de Misiones para contribuir com a operação.
A reportagem menciona ainda a utilização de aeronaves particulares de alto custo operacional, que teriam sido coordenadas por representantes americanos. Os aviões seriam alternativas para garantir o deslocamento do senador até Miami, na Flórida.
Relato aponta estratégia para confundir controles
O Clarín descreve a operação como uma ação marcada pela disseminação de informações contraditórias sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro. Entre os episódios citados está a divulgação, por aliados do senador, de que ele já teria chegado aos Estados Unidos na terça-feira (27).
O jornal também relata o uso de carros e caminhões com diferentes placas de identificação para confundir postos de controle, além de uma suposta troca de informações entre agentes argentinos e americanos.
As alegações sobre a participação de autoridades estrangeiras e o uso da estrutura aeroportuária, entretanto, não foram acompanhadas, no material apresentado, de confirmação independente. Rubio negou o envolvimento do governo americano, e a versão sobre a operação permanece contestada.
A reportagem ocorre após Flávio Bolsonaro viajar aos Estados Unidos, na sequência da derrota na eleição presidencial brasileira de 2026. Depois de divulgar uma carta na qual se autoproclamava “verdadeiro presidente eleito”, o senador recuou dessa declaração, mas continuou utilizando uma retórica de contestação do resultado eleitoral.