Comerciantes suspenderam as vendas após ameaças e cobranças ilegais; Cagece passou a transportar mil garrafões por dia com escolta policial em Banabuiú.
Moradores de Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, estão formando filas para comprar água mineral após comerciantes locais suspenderem a venda de garrafões por medo de ameaças atribuídas a uma facção criminosa. Diante da situação, a distribuição passou a contar com apoio logístico da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e escolta das forças de segurança.
A nova operação começou a ser organizada na sexta-feira (30), e os moradores passaram a buscar os garrafões pelo sistema no sábado (31). Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a medida permite que a comercialização seja retomada com maior segurança.
A Cagece recolhe os garrafões nos fornecedores e os transporta até o município, onde são vendidos à população. A previsão da prefeitura é disponibilizar mil unidades por dia enquanto persistirem as dificuldades enfrentadas pelos comerciantes.
Três suspeitos foram presos
Em 22 de outubro, três pessoas foram presas sob suspeita de ameaçar e extorquir comerciantes em nome de uma organização criminosa. Segundo as investigações, mensagens intituladas “Edital Banabuiú” começaram a circular no dia 19 daquele mês, impondo condições para a venda e a distribuição de água mineral.
As mensagens seriam atribuídas ao Comando Vermelho (CV) e estariam assinadas pela chamada “Diretoria de Banabuiú”. Os textos condicionavam a atividade comercial à autorização da facção e ameaçavam possíveis consequências para quem desobedecesse às ordens. Também há relatos de cobranças semanais de R$ 750 a estabelecimentos comerciais.
Os três investigados são suspeitos de envolvimento no crime de domínio social estruturado. A SSPDS identificou os presos como Cícero Kevin Gomes Farias, Francisco das Chagas de Lima da Silva, conhecido como “Chico Motos”, e Carlos Fernando da Silva Andrade.
Conforme as informações divulgadas pelas autoridades, os suspeitos têm históricos criminais distintos e são investigados por suposta participação no esquema de extorsão. As acusações ainda dependem da apuração judicial.
Durante a operação, os agentes apreenderam seis celulares, um revólver calibre .38, munições, um notebook e dinheiro. As investigações continuam em conjunto com a Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Escola chegou a suspender as aulas
Os efeitos das ameaças também atingiram os serviços públicos. Em 21 de outubro, uma escola municipal suspendeu as aulas por falta de abastecimento de água.
A interrupção da venda de garrafões levou a prefeitura a buscar uma alternativa para manter o fornecimento à população. Embora o policiamento tenha sido reforçado, os comerciantes ainda demonstram receio de retomar as atividades.
O prefeito de Banabuiú, Marcílio Coelho, afirmou ao g1 que a presença de policiais e investigadores nas ruas não foi suficiente para convencer os vendedores a voltar a comercializar água mineral.
“Já está cheio de polícia na rua, está cheio de investigadores, mas [os comerciantes] não estão se sentindo seguros ao ponto de voltarem a vender”, declarou.
Distribuição terá escolta policial
De acordo com a SSPDS, o policiamento foi intensificado com equipes do Policiamento Ostensivo Geral (POG), da Força Tática e do Motopatrulhamento. As forças de segurança também acompanham o transporte e a distribuição dos garrafões realizados pela Cagece.
A prefeitura informou que a operação deverá ocorrer diariamente a partir de terça-feira (3), enquanto persistirem as dificuldades de comercialização e a situação não for considerada normalizada. O esquema prevê o transporte de mil garrafões por dia, retirados de uma fonte de água mineral e levados ao município em veículos da companhia estadual.
O prefeito afirmou esperar que as investigações avancem e que os comerciantes possam retomar as atividades sem ameaças. Enquanto isso, o fornecimento de água mineral segue dependendo da logística montada com apoio das forças de segurança.