O Partido dos Trabalhadores (PT) marcou uma reunião da Executiva Nacional para quinta-feira (29) com o objetivo de definir uma estratégia de mobilização em defesa da soberania brasileira e pelo reconhecimento, por parte dos Estados Unidos, do resultado das eleições no país. A iniciativa ocorre em meio à repercussão das declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo apuração do analista político Pedro Venceslau, divulgada pela CNN Brasil, o partido pretende aproveitar a ausência de um reconhecimento formal da eleição brasileira por parte de Trump para impulsionar a mobilização.
“Donald Trump não reconheceu a eleição no Brasil, fez uma declaração ali meio dúbia, elogiando Lula, mas sem reconhecer a eleição”, afirmou Venceslau durante o programa CNN 360º, nesta terça-feira (27).
PT avalia mobilização digital e atos nas ruas
A estratégia discutida pelo partido não se limita à questão diplomática. De acordo com a apuração, manifestações de apoio a Lula durante o segundo turno teriam surpreendido integrantes do PT, que agora buscam formas de manter a mobilização popular e direcioná-la para pautas de interesse do governo, especialmente diante das disputas no Congresso Nacional.
Entre as possibilidades em discussão está a retomada de uma estrutura voltada à produção de conteúdo digital. Nesse contexto, o deputado federal André Janones (Rede-MG) poderia ser incorporado a algum órgão oficial do governo ligado à área, embora, segundo Venceslau, não se trate da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).
O partido também avalia que o governo Lula poderá enfrentar resistência da oposição, sobretudo se avançar com medidas de ajuste fiscal e outras propostas potencialmente impopulares. Por isso, a direção petista considera importante estabelecer pautas capazes de mobilizar apoiadores para além do período eleitoral.
“A eleição já acabou e Flávio Bolsonaro já foi derrotado, portanto o antibolsonarismo já não é mais um combustível para manter as ruas ocupadas”, destacou o analista político.
Formato dos protestos ainda está em discussão
O modelo das manifestações ainda não foi definido. Entre as alternativas debatidas estão a realização de um grande ato concentrado em um local específico, possivelmente nas proximidades de uma embaixada, ou a organização de protestos simultâneos em diferentes capitais brasileiras.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, está entre os dirigentes que defendem publicamente a mobilização. A reunião da Executiva Nacional, marcada para quinta-feira, deverá definir os próximos passos da estratégia.
A iniciativa poderá ampliar a atuação do partido nas ruas e nas plataformas digitais em um momento no qual o governo busca consolidar apoio político e preparar sua base para as disputas legislativas. Até a reunião, porém, não há definição oficial sobre datas, locais ou dimensão dos possíveis atos.
