O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou a interlocutores que calcula contar com pelo menos 48 votos para se reeleger ao comando da Casa em 2026. Segundo relatos, ele também não pretende dar andamento a pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, com quem mantém proximidade política.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil nesta segunda-feira (26), Alcolumbre sinalizou que está disposto a disputar a presidência do Senado contra qualquer candidato do PL. A avaliação é de que o apoio de partidos do Centrão pode dificultar os planos da legenda, que pretende lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) para a disputa. Marinho foi coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mesmo com a previsão de que o PL terá a maior bancada do Senado a partir de fevereiro, com 29 parlamentares, Alcolumbre acredita que poderá reunir votos suficientes para permanecer no cargo.
Centrão pode favorecer Alcolumbre
Um dos fatores considerados favoráveis à articulação de Alcolumbre é o interesse de partidos do Centrão em limitar o avanço político do PL no Congresso.
Na Câmara dos Deputados, lideranças de diferentes legendas já manifestaram apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB). Em nota divulgada após reunião em 14 de outubro, representantes de União Brasil, PP, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos, PSD e Solidariedade defenderam a continuidade de Motta na presidência da Casa.
Em 2025, Motta foi eleito com 444 votos, em uma coalizão que reuniu 17 partidos, incluindo PT e PL.
A articulação também envolve a relação de Motta com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. Nogueira declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas o alinhamento político entre as lideranças também envolve a disputa pelo comando da Câmara.
Impeachment de ministros do STF
Alcolumbre também teria indicado que não pretende pautar pedidos de impeachment de ministros do Supremo. A posição contraria a expectativa de setores da oposição que defendem a abertura de processos contra integrantes da Corte, entre eles Alexandre de Moraes.
A eventual sucessão no Senado deverá envolver negociações entre partidos e bancadas, além de disputas sobre a agenda legislativa e a relação do Congresso com o STF.
A composição da próxima Mesa Diretora dependerá da eleição interna do Senado, prevista para o início da próxima legislatura.
