O cenário político internacional passa por uma transformação marcada pelo crescimento de partidos e lideranças de direita e centro-direita. Em diferentes países, questões como controle migratório, custo de vida, segurança energética e soberania nacional ganharam espaço nas disputas eleitorais, alterando o equilíbrio político em várias regiões.
A avaliação é de Márcio Coimbra, em artigo publicado na revista Crusoé, no qual analisa a expansão dessas forças e seus possíveis reflexos para o Brasil. Segundo o autor, o movimento representa uma mudança nas prioridades de parte do eleitorado e desafia a percepção de que a globalização e o multilateralismo seguiriam uma trajetória sem grandes reversões.
Brexit e Trump marcaram uma mudança de rumo
Coimbra situa em 2016 dois marcos importantes dessa transformação: a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, conhecida como Brexit, e a primeira eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.
Os dois acontecimentos recolocaram no centro da discussão política temas como autonomia nacional, controle das fronteiras e os limites da integração internacional. Desde então, o movimento passou a se manifestar de diferentes formas na Europa e na América Latina, de acordo com as particularidades de cada país.
Direita amplia espaço na Europa
Na Itália, Giorgia Meloni chegou ao governo em 2022 com uma agenda que enfatiza soberania nacional e controle migratório. Na França, Marine Le Pen e o partido Reunião Nacional ampliaram sua presença política, enquanto a direita alemã, representada pela Alternativa para a Alemanha (AfD), avançou especialmente em regiões do leste do país.
Na Polônia, o partido Lei e Justiça (PiS) também integra o quadro de forças conservadoras que marcaram o debate político europeu nos últimos anos.
Embora as trajetórias sejam diferentes, esses casos ilustram a crescente relevância de temas ligados à imigração, à identidade nacional e à relação entre governos nacionais e instituições internacionais.
Reflexos para o Brasil
Na análise de Coimbra, a mudança do cenário global também importa para o Brasil, que enfrenta suas próprias escolhas políticas e econômicas. O autor associa o avanço dessas forças à cobrança por maior controle das fronteiras, segurança e previsibilidade econômica.
A influência desse movimento sobre a política brasileira, contudo, depende das condições internas, das propostas dos candidatos e das prioridades dos eleitores. A tendência internacional oferece contexto para a disputa nacional, mas não determina, por si só, seu resultado.