Um incêndio de grandes proporções atingiu na noite de sexta-feira (23) a Kehlsteinhaus, conhecida como “Ninho da Águia”, construção histórica associada ao antigo retiro alpino de Adolf Hitler, no sul da Alemanha. O local fica no topo da montanha Kehlstein, a 1.834 metros de altitude, em Berchtesgaden, no estado da Baviera, próximo à fronteira com a Áustria.
As chamas começaram depois das 21h, segundo as informações divulgadas. Bombeiros chegaram ao local às 21h52 e encontraram um incêndio de grandes proporções. As autoridades informaram que não havia relatos de feridos e que ninguém estava no interior da construção quando o fogo começou.
A polícia investiga a possibilidade de incêndio criminoso. Um motociclista que teria sido visto trafegando no sentido contrário da estrada isolada de acesso ao local foi detido.
Construção foi inaugurada em 1938
Concluída em 1938, a Kehlsteinhaus foi idealizada por Martin Bormann, uma das principais figuras do Partido Nazista, para receber convidados diplomáticos e integrantes do círculo próximo de Hitler. A construção ficava na região de Obersalzberg, onde também estava o Berghof, residência de verão do ditador.
Hitler preferia permanecer no Berghof e, de acordo com os registros citados, visitou a Kehlsteinhaus apenas 14 vezes entre 1938 e 1945.
O acesso ao edifício é feito por uma estrada sinuosa de aproximadamente 6,5 quilômetros, que vence um desnível de cerca de 800 metros. A etapa final pode ser percorrida por um elevador instalado no interior da rocha ou por uma trilha.
Local sobreviveu à guerra e virou atração turística
A Kehlsteinhaus não foi destruída pelos bombardeios aliados e foi tomada por tropas aliadas em maio de 1945. Há divergências históricas sobre se soldados franceses ou norte-americanos chegaram primeiro ao local.
Após a captura, partes da lareira de mármore da construção — presente de Benito Mussolini a Hitler — foram retiradas por soldados como lembranças. Posteriormente, o comando aliado proibiu a prática.
Entre 1945 e 1952, o edifício foi utilizado como centro de comando militar pelas forças aliadas. Depois desse período, foi aberto ao público e se tornou um destino turístico conhecido tanto por sua ligação com a história do nazismo quanto pelas paisagens dos Alpes.
Diferentemente do Berghof, cujas ruínas foram demolidas após a guerra, a Kehlsteinhaus permaneceu de pé e passou a receber centenas de milhares de visitantes ao longo dos anos.
A investigação deverá esclarecer as causas do incêndio e as circunstâncias em que o fogo começou.