A eleição nacional em Israel, marcada para 27 de outubro, será influenciada pelas consequências políticas e militares do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Três anos após o episódio, a avaliação sobre a atuação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu permanece dividida: parte da população o responsabiliza pelas falhas de segurança que permitiram a ofensiva, enquanto outra parcela destaca os resultados militares obtidos posteriormente.
O ataque deixou cerca de 1.200 mortos e resultou no sequestro de 251 pessoas. A ofensiva desencadeou uma guerra que se estendeu para além de Gaza, envolvendo também o Líbano, o Iêmen e o Irã.
Em artigo publicado na revista Crusoé, Samuel Feldberg analisa como os acontecimentos transformaram o debate político israelense e colocaram em discussão não apenas a permanência de Netanyahu no poder, mas também o futuro da estratégia de segurança do país.
Resultados militares e impasse político em Gaza
Durante a guerra, Israel provocou danos significativos à estrutura do Hamas, eliminou comandantes do grupo, destruiu infraestrutura e passou a controlar amplas áreas do território palestino. Apesar das operações militares, uma questão permaneceu sem solução definitiva: quem assumiria a administração civil de Gaza após o fim dos combates?
Desde outubro de 2023, havia propostas para transferir a gestão do território a uma administração tecnocrática independente tanto do Hamas quanto da Autoridade Palestina. A iniciativa, porém, não avançou para uma implementação política efetiva.
A distância entre os resultados militares e a ausência de uma estratégia consolidada para o período posterior à guerra tornou-se um dos principais pontos de crítica ao governo Netanyahu.
Plano apoiado pelos Estados Unidos
Nesse cenário, propostas associadas ao governo de Donald Trump passaram a ocupar espaço nas discussões sobre o futuro de Gaza. A estrutura apoiada pelos Estados Unidos em torno do Conselho da Paz previa uma administração tecnocrática, a criação de uma força internacional de estabilização e uma retirada gradual das tropas israelenses, condicionada à desmilitarização.
O plano também contemplava a reconstrução das áreas que deixassem de estar sob controle do Hamas e a abertura de um processo político palestino mais amplo em uma etapa posterior.
Segundo o texto de Feldberg, Israel aceitou o desenho geral da proposta. O trecho fornecido, entretanto, termina nesse ponto e não permite detalhar as condições ou as divergências posteriores em torno do plano.
Segurança e futuro político no centro da eleição
A disputa eleitoral reúne questões diretamente relacionadas ao legado do 7 de outubro: a responsabilidade pelas falhas de segurança, os resultados das operações militares, o destino dos reféns e a ausência de uma solução política definitiva para Gaza.
A avaliação desses temas deve influenciar o debate sobre a liderança de Netanyahu e os rumos da política israelense. O resultado da eleição, contudo, dependerá das escolhas dos eleitores diante de um cenário em que segurança nacional, estratégia militar e futuro político palestino permanecem interligados.