O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta quarta-feira (21) que a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) suspenda a veiculação de uma propaganda eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil nesta quarta-feira (21), a peça publicitária utiliza um vídeo em que Flávio aparece dizendo: “Sou filho do presidente. Quer me dar?”. Antes da exibição do trecho original, a propaganda apresenta cenas encenadas por atores, simulando imagens de câmeras de segurança de uma padaria. Nelas, um homem aborda mulheres e pergunta: “Sou filho do dono da padaria. Quer me dar?”.
Na sequência, uma narradora afirma: “Agora, imagine ter um presidente que acha normal tratar uma mulher assim”. O material termina com a frase: “Com Flávio Bolsonaro, as mulheres perdem”.
A ação judicial foi apresentada pelo próprio senador, que contestou a forma como o vídeo foi utilizado pela campanha adversária. Segundo Flávio, a gravação original foi feita em um ambiente privado, durante uma conversa entre amigos, quando ele estaria imitando o irmão mais novo, Jair Renan Bolsonaro (PL).
O parlamentar afirmou que não havia mulheres presentes no local e acusou a campanha de Lula de retirar a declaração de seu contexto original. Para ele, a combinação do vídeo com as cenas encenadas poderia levar o público a acreditar que ele próprio havia abordado mulheres daquela maneira.
Ao analisar o caso, Bellizze concordou que a montagem pode modificar a interpretação do conteúdo original. Na avaliação do ministro, as cenas dramatizadas, combinadas ao trecho da gravação, podem sugerir que situações representadas por atores tenham ocorrido de fato com o candidato.
Segundo o magistrado, “a edição não se limita a sustentar crítica política com base em declaração pública, podendo sugerir como fatos reais situações que não teriam ocorrido”.
Com a decisão, a campanha de Lula deverá suspender a veiculação da peça publicitária, conforme a determinação do ministro.
