Fotografias obtidas pela revista VEJA mostram viagens realizadas por Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao lado da lobista Roberta Luchsinger. Entre os registros está uma viagem à Finlândia, no início de 2025, para observar a aurora boreal, em um jatinho Embraer Praetor 600, modelo cujo preço de um exemplar novo ultrapassa US$ 20 milhões.
Segundo a publicação, as imagens estavam armazenadas na nuvem do celular de Roberta e integram um conjunto de registros de viagens, encontros e relações entre os dois. A reportagem também menciona deslocamentos internacionais e despesas que teriam sido custeadas por empresários ou pessoas próximas a Lulinha.
A relação entre o filho do presidente e a lobista passou a ser investigada pela Polícia Federal (PF) em apurações sobre possíveis práticas de tráfico de influência e corrupção. As suspeitas envolvem a atuação dos dois na aproximação entre empresários e integrantes do governo federal. As investigações, porém, não equivalem a uma condenação criminal.
Lobista relata rompimento com Lula
A reportagem também aborda o desentendimento entre Roberta e Lula após declarações do presidente durante uma sabatina no Jornal Nacional, em 27 de agosto. Questionado sobre a relação com a lobista, Lula afirmou que não a conhecia e a chamou de “pilantra”.
Posteriormente, o presidente voltou a criticá-la, comparando-a ao banqueiro Daniel Vorcaro. Roberta, por sua vez, afirmou ter ficado abalada com as declarações e disse que recebeu ameaças, incluindo uma ameaça de morte dirigida à filha adolescente.
Em entrevista à CNN Brasil, a lobista declarou que pretende buscar um acordo de colaboração premiada. Ela afirmou que deseja apresentar sua versão dos fatos e contestou a possibilidade de ser responsabilizada isoladamente por eventuais irregularidades.
Investigação aponta possível atuação conjunta
De acordo com a VEJA, mensagens recuperadas pela Polícia Federal indicariam que Roberta e Lulinha atuavam em conjunto na representação de interesses privados perante órgãos públicos. Segundo a investigação citada, ela buscaria clientes, enquanto o filho do presidente teria utilizado seus contatos para facilitar o acesso a autoridades.
A PF também teria identificado mensagens em que Roberta descrevia sua atuação na realização de articulações políticas e mencionava uma meta de lucro de R$ 100 milhões para 2024. A reportagem afirma que os investigadores identificaram um possível núcleo de atuação permanente voltado à defesa de interesses privados no governo.
A lobista confirmou ter mantido relações comerciais com Lulinha, mas negou ter dividido lucros com ele. Também afirmou que não realizou pagamentos ao filho do presidente e que pretende tratar de detalhes das negociações em eventual depoimento ou acordo de colaboração.
Viagens e contratos públicos entram no foco da reportagem
Entre os empresários citados está Marcelo Checon, proprietário da empresa MChecon Design e Cenografia. Segundo os dados apresentados pela revista, a empresa tinha um contrato com o governo federal antes da posse de Lula, no valor de R$ 197 mil. Nos três anos seguintes, teria conquistado outros 13 contratos, que somaram R$ 63 milhões.
A publicação relaciona a expansão dos negócios à aproximação entre Checon e Lulinha, mas essa coincidência temporal, isoladamente, não comprova irregularidade nos contratos.
Outro episódio citado envolve uma residência de luxo em Brasília que, segundo a reportagem, teria sido custeada por Roberta e utilizada por Lulinha para hospedagem e encontros com integrantes do governo. Os gastos de manutenção ultrapassariam R$ 100 mil mensais.
A revista afirma que ministros e outros integrantes da administração federal frequentaram o imóvel. Entre os nomes mencionados estão Alexandre Padilha, Wellington Dias e Swedenberger Barbosa. A reportagem também relata encontros de Lulinha com Antonio Carlos Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, investigado no esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Roberta disse ter trabalhado para Camilo em negócios de interesse dele, mas negou ser sua sócia. Segundo ela, a parceria comercial que mantinha era com Lulinha.
Defesa nega crimes e questiona divulgação
Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha, negou irregularidades e afirmou que as viagens ocorreram em razão da amizade entre seu cliente e Roberta, além da ajuda de conhecidos. O defensor também questionou a divulgação das imagens às vésperas da eleição e classificou como especulativas as tentativas de atribuir responsabilidade à lobista.
O advogado afirmou ainda que Lulinha se mantém no exterior com recursos provenientes do próprio trabalho, na área de consultoria e governança.
A reportagem também menciona pagamentos feitos por Roberta a Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Segundo a publicação, a lobista afirmou que deu dinheiro ao assessor para ajudá-lo durante dificuldades financeiras, enquanto ele teria apresentado a transferência como empréstimo.
O conjunto de imagens, mensagens e relatos descritos pela revista pode contribuir para esclarecer as relações entre empresários, a lobista e o filho do presidente. A definição de eventuais responsabilidades criminais, contudo, depende da análise das provas e do andamento das investigações.
VEJA FOTOS ABAIXO:

ROTEIROS – Várias das viagens feitas por Lulinha eram custeadas por amigos (Reprodução/Reprodução)

DESTINOS DE GRIFE – O filho do presidente viajou com a empresária para assistir à aurora boreal na Europa (Reprodução/Reprodução)

INTIMIDADE – Lulinha ia a festas e eventos ao lado de Roberta e de outros amigos empresários, como Marcelo Checon (Reprodução/Reprodução)

FESTAS – Lulinha passou a virada de ano em 2025 na mansão alugada por Roberta Luchsinger em Brasília ao lado de Swedenberger Barbosa, assessor do gabinete pessoal da Presidência (Reprodução/Reprodução)
