O presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu aplicar o rigor da lei contra os responsáveis por saques, incêndios e depredações registrados durante os protestos que atingiram o país no sábado (17). Em pronunciamento à nação na noite deste domingo (18), o chefe de Estado afirmou que os envolvidos nos atos de violência terão de responder por suas ações.
As manifestações contra o governo, inicialmente em grande parte pacíficas, terminaram em confrontos e tumultos em diferentes cidades francesas. Pelo menos duas pessoas morreram, mais de 2 mil foram detidas e centenas de policiais ficaram feridos, segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa local.
“Os que saquearam terão de arcar com os prejuízos”, afirmou Macron. O presidente também declarou que aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados.
Apesar do tom firme, Macron reconheceu a necessidade de ouvir as reivindicações da população. Para tratar da crise de segurança, anunciou uma reunião de emergência com prefeitos franceses na segunda-feira (19).
Mortes e centenas de policiais feridos
Entre as vítimas está um policial de 22 anos que morreu em Nantes, cidade localizada a cerca de 400 quilômetros a sudoeste de Paris. De acordo com o ministro do Interior, Laurent Nuñez, o agente foi atingido por um veículo conduzido por terceiros.
A segunda morte foi registrada ao norte de Paris. Segundo a emissora BFMTV, que citou o comando da Polícia de Paris, um manifestante sofreu uma parada cardiorrespiratória.
Nuñez informou que mais de 2 mil pessoas foram detidas durante os distúrbios. Os números divulgados sobre policiais feridos também evidenciam a dimensão dos confrontos registrados no país.
Prédios públicos são incendiados e depredados
A violência atingiu edifícios públicos e instalações turísticas em diferentes cidades. Em Limoges, a prefeitura, um prédio histórico de 143 anos, foi incendiada. Em Marselha, manifestantes mascarados invadiram e depredaram a sede da prefeitura. Já em Lyon, um posto de turismo foi incendiado.
Os episódios aumentaram a pressão sobre o governo francês. Parlamentares e autoridades regionais passaram a questionar o planejamento de segurança e a resposta das forças públicas diante da escalada dos distúrbios.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu deve se reunir com os prefeitos de Paris, Lyon e Marselha, que pediram mais apoio para lidar com os danos provocados pelos protestos.
Novas manifestações mantêm tensão nas ruas
Mesmo após os confrontos de sábado, a mobilização continuou neste domingo. Na Place de la République, em Paris, a polícia voltou a utilizar gás lacrimogêneo contra pessoas reunidas após convocações nas redes sociais para dar continuidade ao movimento, segundo a BFMTV.
O governo agora enfrenta o desafio de restabelecer a segurança e reparar os prejuízos, enquanto procura responder às reivindicações que motivaram as manifestações. Macron sinalizou que haverá responsabilização pelos atos de violência, mas também reconheceu a necessidade de diálogo com a população.
