O governo de Donald Trump voltou a defender as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao alegar que decisões do magistrado violaram direitos humanos e restringiram a liberdade de expressão. As declarações constam de uma resposta do Departamento de Estado dos Estados Unidos a congressistas democratas.
No documento, o órgão americano afirmou que as medidas adotadas contra Moraes foram fundamentadas em evidências que, segundo Washington, apontariam graves violações. Entre as acusações estão autorizações de prisões preventivas consideradas injustas pelo governo americano e decisões que teriam limitado manifestações de críticos políticos.
O Departamento de Estado também alegou que ordens sigilosas determinaram a suspensão de contas em plataformas digitais, incluindo redes sociais americanas, por publicações que, na avaliação de Washington, estariam protegidas pela liberdade de expressão.
Moraes foi incluído na lista de sancionados pela Lei Magnitsky em julho de 2025, mas teve seu nome retirado em dezembro do mesmo ano. A resposta mais recente não anunciou novas sanções contra o ministro.
Governo americano fala em eleições livres no Brasil
A manifestação do Departamento de Estado também abordou a posição de Washington sobre o processo eleitoral brasileiro. Em carta assinada na quinta-feira (15), o órgão declarou apoiar o direito da população brasileira a eleições livres e justas.
O documento respondeu a uma manifestação enviada em 24 de setembro por 31 deputados americanos ao secretário de Estado, Marco Rubio. Os parlamentares questionaram a atuação do governo Trump em relação ao Brasil e buscaram esclarecer se os Estados Unidos reconheceriam o resultado das eleições presidenciais brasileiras.
A resposta, entretanto, não tratou diretamente desse questionamento. O governo americano afirmou que pretende manter o diálogo com a sociedade brasileira, o setor privado e a próxima administração eleita.
Segundo o Departamento de Estado, a intenção é promover a segurança, o comércio bilateral, os investimentos e a prosperidade dos dois países.
EUA defendem classificação de facções brasileiras como terroristas
Outro ponto abordado na carta foi a defesa da classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
O governo Trump argumentou que as duas facções são altamente violentas, promovem ataques contra forças de segurança, autoridades e civis brasileiros e mantêm redes criminosas com atuação que alcança os Estados Unidos.
Segundo o Departamento de Estado, a proposta de classificação considera as ameaças que esses grupos representariam para a segurança americana e regional.
A manifestação reúne, assim, três frentes da política externa de Washington em relação ao Brasil: as críticas às decisões de Moraes, a defesa de eleições livres e o endurecimento do combate às organizações criminosas transnacionais.