A OpenAI acusa um ex-funcionário de roubar informações confidenciais sobre um dispositivo de inteligência artificial ainda não lançado e compartilhá-las com a Apple. Segundo uma petição judicial apresentada na quarta-feira (14), o profissional teria transferido mais de 100 arquivos sigilosos para contas pessoais antes de retornar à fabricante do iPhone.
De acordo com a desenvolvedora do ChatGPT, os documentos continham imagens detalhadas de produtos ainda não anunciados, além de informações técnicas sobre engenharia e fabricação. A empresa afirma que o último arquivo foi transferido em junho, no dia em que o funcionário deixou a OpenAI.
A companhia também alega que o ex-colaborador apresentou os planos de produtos da empresa à alta direção da Apple, incluindo o vice-presidente de operações da companhia na Ásia.
No documento judicial, a OpenAI sugere que as informações podem ter sido utilizadas no desenvolvimento de produtos concorrentes com inteligência artificial.
Apple contesta acusações
Em declaração à CNN Internacional, a Apple afirmou que não encontrou evidências que sustentem as acusações. A empresa disse manter políticas rigorosas para impedir que novos funcionários utilizem informações confidenciais de antigos empregadores e se comprometeu a colaborar com a OpenAI caso encontre materiais da desenvolvedora em seus sistemas.
A Apple também acusou a concorrente de tentar desviar a atenção das alegações apresentadas anteriormente no processo.
O caso faz parte de uma disputa judicial iniciada pela Apple em julho. Na ação original, a fabricante do iPhone acusou a OpenAI de se apropriar de segredos comerciais e alegou que ex-funcionários que migraram para a empresa de inteligência artificial baixaram arquivos confidenciais. A Apple também afirmou que candidatos a vagas na OpenAI teriam sido incentivados a levar peças da companhia para entrevistas.
A OpenAI negou as acusações anteriores, argumentando que a Apple não identificou os supostos segredos comerciais roubados, e pediu o arquivamento do processo.
Disputa por dispositivos com inteligência artificial
O confronto judicial ocorre enquanto as duas empresas ampliam seus investimentos em dispositivos equipados com inteligência artificial.
Segundo o texto original, a Apple anunciou nesta semana o HomeView, iniciativa voltada ao mercado de casas inteligentes, além de uma versão reformulada da assistente virtual Siri, que ocupa papel central na estratégia de IA da empresa.
A OpenAI, por sua vez, trabalha no desenvolvimento de um dispositivo próprio de inteligência artificial. Relatos citados na reportagem indicam que o produto poderá ser um pequeno alto-falante inteligente sem tela.
Em 2025, a desenvolvedora contratou o ex-chefe de design de produtos da Apple, Jony Ive, e adquiriu sua empresa, a io, para trabalhar no projeto de novos dispositivos.
A Apple afirmou em documentos judiciais que a OpenAI contratou mais de 400 ex-funcionários da fabricante. A movimentação de profissionais entre empresas é comum no Vale do Silício, mas as acusações ampliam a disputa entre as companhias pela liderança no mercado de produtos com inteligência artificial.
Até o momento, as alegações sobre o suposto repasse de informações permanecem em disputa judicial e não equivalem a uma comprovação de roubo de propriedade intelectual.
