O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na pesquisa BTG/Nexus, com 52% contra 48% dos votos válidos. Apesar da vantagem de quatro pontos percentuais, o levantamento indica que a disputa presidencial ainda está aberta. Ao Hora H, Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece competitivo, o que torna o segundo turno imprevisível.
De acordo com Tokarski, Flávio terminou o primeiro turno com uma vantagem de aproximadamente 1,8 ponto percentual, equivalente a cerca de 2,2 milhões de votos. Agora, essa diferença teria dobrado.
“Até aqui, Flávio dobrou essa vantagem”, afirmou o executivo.
Considerando os efeitos da abstenção, a diferença poderia chegar a aproximadamente 4 milhões de votos, com possibilidade de se aproximar de 4,5 milhões em favor do senador.
Pesquisas indicam redução da vantagem
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil nesta quarta-feira (14), Tokarski chamou atenção para levantamentos divulgados na semana anterior por outros institutos, que apontaram uma diminuição da distância entre os candidatos no segundo turno.
Na avaliação do CEO da Nexus, Flávio continua crescendo, mas não no ritmo que parte da campanha poderia esperar. Lula, por sua vez, permanece competitivo.
“Ele cresce, mas Lula ainda se mantém competitivo”, declarou.
A pesquisa BTG/Nexus também mostra que 59% dos entrevistados acreditam que Flávio vencerá a eleição. Para Tokarski, porém, essa percepção não significa que o resultado esteja definido.
“O jogo não está definido ainda”, afirmou.
O cenário também teria influenciado a estratégia eleitoral do senador. Flávio anunciou que votará a favor do fim da escala de trabalho 6×1, tema que vinha sendo explorado por Lula na tentativa de ampliar seu apoio eleitoral.
“Flávio deve ter percebido que isso poderia gerar um desgaste”, avaliou Tokarski. Segundo ele, o senador é favorito, mas uma virada de Lula, embora difícil, não pode ser descartada.
Abstenção pode influenciar o resultado
Outro fator destacado pelo CEO da Nexus é o comparecimento dos eleitores às urnas. Em 21 estados que concentram mais de 90% do eleitorado brasileiro, não haverá disputa para governador no dia 25. Com isso, a eleição presidencial será a única motivação eleitoral para parte dos votantes.
As duas campanhas, portanto, precisam manter suas bases mobilizadas até o dia da votação.
Tokarski apontou um risco específico para Flávio: cerca de 23% de seus eleitores afirmaram que o principal motivo do voto é a rejeição a Lula, e não necessariamente a preferência pelo senador.
“Se esse eleitor achar que Flávio já está ganhando a eleição, pode acabar desistindo de comparecer”, alertou.
O executivo também observou que 68% dos eleitores dos estados sem disputa para governador vivem em unidades da Federação administradas por representantes da direita. Como esse grupo inclui regiões onde Flávio tende a ter maior votação, uma eventual desmobilização poderia prejudicar sua campanha.
Campanhas disputam espaço nas ruas e nas redes
Tokarski afirmou que as entrevistas da pesquisa BTG/Nexus ocorreram no sábado (10), domingo (11) e segunda-feira (12), período que coincidiu com duas grandes mobilizações do PT, realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Por isso, segundo ele, o levantamento pode ter captado parte dos efeitos desses atos, além do avanço da campanha de Lula nas redes sociais.
O CEO avaliou que a movimentação digital deve provocar uma reação dos aliados de Flávio Bolsonaro, que, em sua análise, perderam espaço nesse campo da disputa.
“Certamente isso vai ensejar uma reação da campanha bolsonarista, que perdeu espaço nesse debate digital”, afirmou.
Uma grande mobilização em São Paulo estava prevista para o fim de semana seguinte, segundo Tokarski. Para o analista, a combinação entre intenção de voto, percepção de vitória e comparecimento às urnas pode ser decisiva em uma disputa que ainda apresenta margem para mudanças.
