A forte queda dos juros futuros registrada na segunda-feira (5), após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, pode representar uma economia de R$ 65,8 bilhões para o governo caso o novo patamar das taxas seja mantido.
Segundo informações divulgadas pelo Poder 360 nesta terça-feira (06), os contratos com vencimentos nos próximos anos recuaram de forma significativa na sessão. Em alguns prazos mais longos, a queda chegou a superar 1 ponto percentual, ou 100 pontos-base. O cálculo do impacto potencial sobre a dívida pública utiliza dados do Banco Central apresentados no relatório de Estatísticas Fiscais de agosto, divulgado em 30 de setembro.
O valor estimado supera o impacto previsto para o aumento de R$ 120 no salário mínimo, calculado em R$ 54,6 bilhões, e equivale a quase três vezes o custo estimado do reajuste de 15,04% do Bolsa Família em 2027, de R$ 22,7 bilhões.
Como a queda dos juros afeta a dívida
Os juros futuros representam as taxas que investidores projetam para os próximos anos. Um dos principais instrumentos usados para acompanhar essas expectativas é o DI futuro, negociado na B3 e bastante relacionado às expectativas para a Selic.
Quando essas taxas diminuem, o governo tende a encontrar condições mais favoráveis para refinanciar a dívida pública. À medida que títulos vencem, o Tesouro precisa emitir novos papéis para substituir os que estão sendo resgatados. Com um custo menor de financiamento, a despesa futura com juros pode diminuir.
A redução do custo da dívida também pode abrir espaço dentro do Orçamento para outras despesas e investimentos.
Reação do mercado após a eleição
A movimentação ocorreu no primeiro pregão após o resultado do primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Analistas e agentes do mercado associaram parte da reação positiva à avaliação sobre o cenário fiscal e econômico em um eventual governo de Flávio. Essa interpretação, porém, representa uma leitura das expectativas dos investidores, e não uma garantia sobre a condução futura da política econômica.
Além dos juros, outros ativos também tiveram forte reação. O Ibovespa subiu 7,70% na segunda-feira e encerrou o pregão aos 206.911,89 pontos, depois de alcançar novo recorde durante a sessão. O índice chegou a ultrapassar os 209 mil pontos ao longo do dia.
O movimento também foi acompanhado por forte valorização do real, com o dólar comercial encerrando o dia em aproximadamente R$ 5.
Efeito sobre empresas e investimentos
Juros futuros mais baixos podem reduzir o custo de financiamento das empresas e melhorar as condições de crédito. Em tese, isso pode favorecer investimentos, expansão dos negócios e contratação de trabalhadores.
A queda das taxas também influencia a avaliação de empresas negociadas em Bolsa, já que mudanças nos juros alteram o custo de capital utilizado pelos investidores para calcular o valor dos ativos.
Na segunda-feira, o movimento foi especialmente forte entre ações de bancos, empresas ligadas ao consumo e outros setores mais sensíveis às condições financeiras.
Apesar da reação positiva, o comportamento dos juros não é definitivo. Mudanças nas expectativas de inflação, nas contas públicas, na política econômica ou no cenário internacional podem provocar novas altas ou quedas das taxas.
Assim, os R$ 65,8 bilhões representam uma economia potencial, condicionada à manutenção do patamar dos juros, e não um valor que o governo já tenha efetivamente economizado.
