O empresário baiano Carlos Seabra Suarez, conhecido como “Rei do Gás”, foi detido na última sexta-feira (2) no Aeroporto Internacional de Cancún, no México, ao tentar deixar o país com dinheiro em espécie que não havia sido declarado às autoridades.
Segundo o advogado Roberto Podval, Suarez havia declarado cerca de US$ 37 mil ao entrar no México. Na saída, porém, não informou novamente que carregava o valor restante, que já era inferior ao montante inicial devido a gastos realizados durante a viagem.
Segundo informações divulgadas pelo O Globo nesta segunda-feira (05), a defesa afirma que o empresário desconhecia a necessidade de fazer uma nova declaração na saída do país e classificou o episódio como um equívoco. De acordo com Podval, Suarez foi questionado pelos agentes sobre a existência de dinheiro na bagagem de mão e confirmou que carregava as cédulas.
Após a abordagem, o empresário foi informado de que a ausência da declaração configurava uma infração no México. Ele pagou uma multa às autoridades mexicanas e foi liberado no sábado (3). O advogado não informou o valor da penalidade nem se alguma quantia permaneceu retida.
Na segunda-feira (5), um perfil mexicano de notícias publicou nas redes sociais uma fotografia que mostra agentes da Guarda Nacional inspecionando o dinheiro encontrado com o empresário.
Maior doador pessoa física
Suarez também ganhou destaque durante as eleições de 2026 por suas contribuições financeiras a partidos políticos. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele destinou R$ 5,7 milhões a seis legendas, tornando-se o maior doador pessoa física registrado na disputa até as atualizações divulgadas pela Justiça Eleitoral.
Os recursos foram distribuídos entre PP, PSD, União Brasil, MDB, PSDB e PSB. Cinco partidos receberam R$ 1 milhão cada, enquanto o PSB recebeu R$ 700 mil. Suarez também fez doações de R$ 20 mil e R$ 10 mil a dois candidatos a deputado estadual pelo MDB no Rio Grande do Sul.
O empresário construiu sua trajetória empresarial no setor de infraestrutura e energia e passou a atuar fortemente no mercado de gás natural. Após deixar a construtora OAS, da qual foi um dos fundadores, criou a Termogás e adquiriu participações em concessionárias estaduais de distribuição de gás.
A atuação de Suarez no setor energético também o aproximou de discussões políticas relacionadas à expansão da infraestrutura de gás natural e à construção de termelétricas.
Atuação política
Conhecido nos bastidores de Brasília por sua relação com parlamentares de diferentes partidos, Suarez participou de articulações envolvendo projetos de infraestrutura energética. Entre as propostas defendidas estava a criação de mecanismos para ampliar a geração de energia termelétrica a gás e a construção de uma rede de gasodutos para abastecer essas usinas.
O empresário também manteve relações políticas com diferentes governos e grupos partidários ao longo dos anos.
Apesar da detenção no México, não há indicação, nas informações confirmadas até o momento, de que Suarez tenha sido acusado de crime relacionado à origem do dinheiro. O episódio registrado pelas autoridades mexicanas está relacionado à falta de declaração dos recursos na saída do país, segundo a defesa e as informações divulgadas sobre o caso.
