A execução de Christa Gail Pike por injeção letal não foi concluída na noite desta quarta-feira (30), no Tennessee, Estados Unidos. Segundo jornalistas que acompanharam o procedimento, Pike permaneceu viva e chegou a roncar por mais de 40 minutos após receber duas doses de pentobarbital.
Segundo informações divulgadas pelo Estadão, a execução havia sido autorizada pela Suprema Corte dos Estados Unidos pouco mais de uma hora antes do horário previsto para o procedimento. Mais cedo, um tribunal de primeira instância havia determinado a suspensão da pena.
De acordo com o advogado de Pike, uma ambulância foi acionada para atender a mulher após a tentativa de execução. O Departamento de Correções do Tennessee informou que, naquele momento, não poderia fornecer detalhes sobre o ocorrido.
Caso a execução tivesse sido concluída, Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee desde 1819, há 207 anos.
Jornalistas ouviram Pike roncar durante o procedimento
Segundo relatos de profissionais de imprensa presentes no local, os funcionários da prisão administraram duas doses de pentobarbital.
Às 19h46 no horário local, equivalente a 21h46 em Brasília, a cortina que permitia aos jornalistas acompanhar o procedimento foi fechada. Cerca de três minutos depois, ela voltou a ser aberta.
Nesse momento, era possível ouvir Pike roncando alto. A cortina foi fechada novamente às 20h06, e, segundo os jornalistas, os roncos continuaram por mais de 40 minutos após a última aplicação da substância.
Às 20h53, ou 22h53 no horário de Brasília, os jornalistas que acompanhavam o procedimento foram informados de que deveriam deixar o local.
Especialista chama episódio de “sem precedentes”
Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center (Centro de Informações sobre a Pena de Morte), classificou o episódio como “singular e sem precedentes”.
Segundo Maher, outras sete pessoas já sobreviveram a problemas médicos durante tentativas de execução nos Estados Unidos em razão da dificuldade da equipe em obter acesso venoso para administrar os medicamentos. Ela ressaltou, porém, que nenhum desses casos envolveu uma pessoa que permanecesse viva depois de receber os fármacos utilizados na execução.
A organização descreveu o episódio envolvendo Pike como uma falha inédita.
O caso ocorre poucos meses depois de outra execução no Tennessee ter sido interrompida. Em maio, as autoridades cancelaram a aplicação da pena de morte contra Tony Carruthers depois que a equipe responsável passou mais de uma hora tentando, sem sucesso, estabelecer um acesso venoso para administrar o pentobarbital.
Pike foi condenada à morte por assassinato
Christa Pike foi condenada à pena de morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos.
O crime ocorreu em 1995, quando Pike tinha 18 anos. Segundo o caso apresentado à Justiça, ela e o então namorado, Tadaryl Shipp, que tinha 17 anos, participaram do assassinato da jovem em um acampamento.
Pike recebeu a sentença de morte no ano seguinte. Shipp foi condenado à prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional.
O episódio desta quarta-feira foi acompanhado por jornalistas autorizados a observar a execução. As informações sobre a tentativa malsucedida foram divulgadas inicialmente com base nos relatos feitos a partir do local e em informações fornecidas pelo advogado de Pike e pelo Centro de Informações sobre a Pena de Morte.
