O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira (30) uma redução de 20% no número de cargos ocupados por generais e almirantes das Forças Armadas americanas. A medida foi apresentada durante um discurso na Base do Corpo de Fuzileiros Navais de Quantico, na Virgínia.
Segundo informações divulgadas pela CNN, durante o pronunciamento, Hegseth também revelou a criação do Projeto Meridian, iniciativa do Pentágono voltada ao estudo de novas formas de guerra e ao desenvolvimento de capacidades militares para conflitos futuros.
O projeto terá a participação do bilionário Elon Musk, fundador do DOGE (Departamento de Eficiência Governamental), além do executivo do setor de tecnologia de defesa Palmer Luckey e do ex-presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos Newt Gingrich.
A coordenação ficará sob responsabilidade do diretor de tecnologia do Departamento de Defesa, Amiel Michael, que terá Musk, Luckey e Gingrich como co-líderes da iniciativa.
Segundo Hegseth, especialistas e empreendedores americanos ligados à tecnologia serão envolvidos no projeto para auxiliar o governo a antecipar possíveis conflitos e desenvolver ferramentas voltadas às futuras necessidades militares.
Novo comando para guerra autônoma
O secretário também anunciou planos para a criação de uma estrutura militar voltada à guerra autônoma. De acordo com Hegseth, as Forças Armadas deverão nomear em breve um comandante de quatro estrelas para o chamado “Auto War Com”, ou Comando de Guerra Autônoma.
Outra iniciativa apresentada foi o Projeto Agincourt, que deverá ser conduzido por Owen West e pelo suboficial-chefe aposentado dos Navy SEALs Max Straiser ao longo do próximo ano.
Hegseth faz críticas à cúpula militar
O discurso ocorreu cerca de um ano depois de Hegseth ter feito críticas à alta liderança militar e às políticas de diversidade adotadas pelas Forças Armadas.
Ao falar sobre os critérios que, segundo ele, devem orientar a composição da liderança militar, o secretário declarou: “Nada de gordos, nada de trans, nada de barbudos, nada de esquisitões, nada de frouxos, nada de radicais. Apenas guerreiros.”
Hegseth afirmou ainda que militares que adotaram as prioridades da atual administração permaneceram em seus postos.
Religião ganha espaço na política de defesa
Outro ponto destacado pelo secretário foi o papel da religião dentro das Forças Armadas. Hegseth afirmou que o Departamento de Defesa pretende dar à saúde espiritual uma importância semelhante à atribuída à saúde física dos militares.
“Afinal, nosso lema nacional é ‘Em Deus Confiamos’”, declarou. “Embora travemos uma guerra física, todos sabemos que a verdadeira batalha é espiritual.”
As medidas anunciadas fazem parte das mudanças organizacionais e culturais que Hegseth afirma estar promovendo no Departamento de Defesa, com redução de postos de alta patente, ampliação do uso de tecnologias emergentes e maior atenção à dimensão religiosa entre os militares.
