A nova defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli prepara uma série de medidas jurídicas para tentar contestar as duas condenações definitivas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e impedir sua extradição da Itália para o Brasil.
O advogado brasileiro Eduardo Maurício assumiu recentemente a defesa e passou a atuar em conjunto com o italiano Pieremilio Sammarco. Segundo a equipe, a estratégia inclui revisões criminais no Brasil, medidas na Justiça italiana e representações a organismos internacionais, como o Tribunal Penal Internacional (TPI) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica. Segundo a decisão judicial, documentos falsos foram inseridos no sistema, entre eles um mandado de prisão fraudulento contra o ministro Alexandre de Moraes. A condenação transitou em julgado em junho de 2025.
A ex-deputada também foi condenada a cinco anos e três meses de prisão pelo episódio ocorrido em São Paulo, em outubro de 2022, quando perseguiu um homem portando uma arma de fogo. O processo também está relacionado ao pedido de extradição que segue em análise na Itália.
Em julho deste ano, a Corte Suprema de Cassação da Itália anulou uma decisão anterior relacionada à extradição e determinou que o caso fosse novamente analisado pela instância competente. Com isso, o processo continua em tramitação no país europeu, enquanto Zambelli permanece em liberdade.
A defesa também pretende solicitar a retirada do nome da ex-deputada da difusão vermelha da Interpol. Segundo Eduardo Maurício, os advogados pretendem questionar as penas aplicadas pelo STF e apontar supostos erros ou questões que, na avaliação da nova equipe, não teriam sido explorados pela defesa anterior.
O advogado afirmou ainda que, caso a extradição seja confirmada, o retorno de Zambelli ao Brasil “seria o mesmo que sentenciar sua morte”. A declaração representa a avaliação da defesa sobre as condições que a ex-deputada enfrentaria caso fosse enviada ao país.
As medidas anunciadas, no entanto, ainda dependem da análise das autoridades judiciais brasileiras, italianas e dos organismos internacionais acionados. Enquanto isso, Zambelli permanece na Itália aguardando a definição do processo de extradição.
