A ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ex-corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, afirmou que uma eventual investigação envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pode provocar uma crise institucional de grandes proporções no país e prejudicar o processo eleitoral de 2026.
Em entrevista publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Calmon disse que uma apuração séria sobre as suspeitas envolvendo Moraes poderia “implodir a República” e atingir instituições como o Congresso Nacional e a Presidência da República. Segundo ela, o avanço das investigações às vésperas das eleições pode aumentar a instabilidade política durante o período de campanha.
A ex-ministra também fez duras críticas à condução do caso dentro do STF. Ao comentar a sessão que discutiu a possibilidade de abertura de uma apuração sobre Moraes, Calmon afirmou que as instituições brasileiras estão “esfaceladas” e disse que a credibilidade do Supremo “derreteu”. Ela chegou a afirmar que há “bandidos de toga” na Corte, expressão usada por ela para se referir a integrantes do Judiciário que, em sua avaliação, comprometem a imagem da instituição.
Em outra entrevista, ao SBT News, publicada em 17 de setembro, Calmon afirmou que a reputação de Moraes está “irremediavelmente perdida” diante das suspeitas relacionadas ao caso Banco Master. Ela também declarou que, em sua avaliação, o ministro não deveria assumir a presidência do STF no próximo ano.
Calmon defendeu ainda o afastamento temporário de autoridades diretamente envolvidas ou citadas nas apurações, como forma de preservar a independência da investigação. Segundo ela, o afastamento permitiria que os fatos fossem analisados de maneira “absolutamente isenta” e ajudaria a preservar a credibilidade do Supremo.
As declarações ocorrem após a sessão do STF que discutiu a abertura de uma apuração relacionada a Moraes no contexto das investigações sobre o Banco Master. O episódio provocou divergências públicas entre ministros da Corte e ampliou o debate político e institucional sobre a condução do caso.