O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18) que não aceita a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Durante um evento no Rio de Janeiro sobre ações integradas de segurança pública, Lula disse que o Brasil precisa combater as facções criminosas, mas criticou o enquadramento adotado pelo governo de Donald Trump.
Segundo o presidente, atos relacionados à tentativa de ruptura institucional no Brasil, como os ataques de 8 de janeiro de 2023 e o plano investigado para assassinar autoridades, deveriam ser classificados por ele como terrorismo. Lula citou os nomes dele próprio, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes entre os alvos mencionados nas investigações.
A classificação das facções brasileiras pelos Estados Unidos ocorre desde maio de 2026 e representa uma mudança na abordagem de Washington em relação ao PCC e ao CV. No Brasil, os dois grupos são tratados juridicamente como organizações criminosas.
Em documento enviado ao Congresso americano nesta semana, o governo Trump também acusou o Brasil de falhar no combate às duas facções e afirmou que os grupos representam uma ameaça à segurança internacional.
O governo brasileiro rejeitou as acusações. Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que o Brasil não integra a lista formal dos 23 países identificados pelos Estados Unidos como principais produtores ou rotas de trânsito de drogas e contestou a existência de falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado. O ministério citou, entre outras medidas, a Lei Antifacção, operações policiais e mecanismos de cooperação com autoridades americanas.
Nos últimos dias, operações coordenadas pelas forças de segurança brasileiras resultaram em prisões, apreensões e bloqueios de patrimônio de grupos criminosos. Na Operação Força Integrada IV, deflagrada em 16 de setembro, foram cumpridos 173 mandados de busca e apreensão e 106 mandados de prisão, além de medidas patrimoniais.
Lula fala em reforçar segurança
Durante o evento no Rio, Lula também afirmou que pretende ampliar as ações de combate ao crime organizado e retomar territórios ocupados por organizações criminosas e milícias.
O presidente mencionou ainda a PEC da Segurança Pública, em tramitação no Congresso, e defendeu maior participação da União na área. Lula também afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso seja reeleito.
Em outro trecho do discurso, o presidente relacionou a necessidade de ampliar investimentos em segurança nacional à proteção das fronteiras e de recursos estratégicos brasileiros. Lula citou petróleo e minerais críticos como áreas que, segundo ele, exigem proteção e planejamento do Estado brasileiro.
