O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos valores do Bolsa Família. A medida foi anunciada a 17 dias do primeiro turno das eleições gerais de 2026, marcado para 4 de outubro, e retoma um debate que já envolveu o atual presidente durante a campanha eleitoral de 2022.
Naquele ano, a equipe jurídica do PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com ações que questionavam medidas adotadas pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a campanha. Entre os pontos levantados estavam mudanças e ampliações de programas sociais às vésperas da eleição. O TSE posteriormente declarou Bolsonaro e Walter Braga Netto inelegíveis em outro processo relacionado ao uso da estrutura pública durante as comemorações do Bicentenário da Independência.
Um dos argumentos apresentados pelo grupo de transição do governo Lula, após a eleição de 2022, envolvia o aumento no número de beneficiários que viviam sozinhos no Auxílio Brasil. Segundo os dados citados na época, o número de famílias unipessoais teria passado de cerca de 2 milhões para aproximadamente 4,5 milhões entre o fim de 2021 e julho de 2022.
Agora, em 2026, o governo Lula anunciou uma nova atualização do Bolsa Família. O reajuste de 15,04% corresponde à variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026, conforme decreto publicado nesta quinta-feira.
Com a correção, o benefício mínimo mensal passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio deverá subir de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em outubro, com os primeiros pagamentos previstos para 19 de outubro, entre o primeiro turno e um eventual segundo turno.
Segundo a equipe econômica, o reajuste terá impacto adicional de R$ 5,8 bilhões no orçamento de 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027. O aumento ocorre, portanto, em um momento próximo ao calendário eleitoral, mas o governo afirma que a correção apenas recompõe a inflação acumulada no período.
A proximidade entre a medida atual e as discussões envolvendo programas sociais nas eleições de 2022 colocou novamente o Bolsa Família no centro do debate político e eleitoral.