O jornal O Estado de S. Paulo criticou duramente o Supremo Tribunal Federal (STF) em editorial publicado nessa quarta-feira (16), um dia após a sessão que discutiu a tramitação de procedimentos relacionados ao caso Banco Master e a informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
No texto, intitulado “Espetáculo Degradante no Supremo”, o jornal afirmou que a Corte “se desmoralizou perante a Nação” durante a sessão e avaliou que o episódio expôs uma crise institucional no tribunal. O editorial também questionou a possibilidade de o STF não permitir o avanço de uma investigação relacionada às informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A sessão terminou sem que o plenário analisasse o mérito da Petição 16.662, que tem origem em um relatório da PF com informações relacionadas a Moraes. O ministro Flávio Dino pediu vista dos autos durante a discussão de uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O STF informou que o mérito da petição não chegou a ser examinado.
O editorial criticou o pedido de vista e classificou a sessão como uma tentativa de adiar a discussão. O jornal também questionou os votos de ministros que defenderam a reunião dos procedimentos relacionados a Moraes e ao ministro André Mendonça.
Na avaliação do Estadão, a sessão foi marcada por discussões sobre relatoria, rito processual e competência, enquanto as informações envolvendo as mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro não foram examinadas pelo plenário.
O jornal também criticou a decisão de Kassio Nunes Marques de se declarar impedido. Segundo o STF, o ministro justificou a decisão pelo fato de presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e considerou que o julgamento poderia produzir impactos no cenário político-eleitoral a 19 dias do primeiro turno. Dias Toffoli, por sua vez, declarou suspeição por motivo de foro íntimo.
Outro alvo do editorial foi Gilmar Mendes. O jornal classificou como excessivos os episódios de confronto verbal durante a sessão e criticou as manifestações de ministros que, segundo o veículo, teriam contribuído para prolongar a discussão sobre questões processuais.
O Estadão também citou a ministra Cármen Lúcia, que, durante a sessão, manifestou preocupação com o impacto do episódio sobre a imagem da Corte. O jornal destacou a declaração da ministra como uma demonstração de desconforto diante do embate entre os integrantes do tribunal.
Apesar das críticas, o STF sustenta que a sessão tinha como objetivo analisar uma questão processual sobre a tramitação conjunta de duas petições. De acordo com a própria Corte, não houve julgamento sobre a responsabilidade de Alexandre de Moraes nem decisão sobre a abertura ou não de uma investigação contra o ministro.
