Escolhido pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, para atuar nas ações relacionadas ao Caso Master, o subprocurador-geral da República André de Carvalho Ramos mantém uma relação profissional com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Ramos e Moraes são atualmente docentes responsáveis por uma disciplina do programa de pós-graduação stricto sensu em Direito da Universidade de São Paulo (USP). A informação consta nos registros da própria universidade.
Os dois integram o corpo docente da disciplina “Direito Digital: Novos desafios da Democracia, Constituição, Direitos e Desenvolvimento”, criada em maio de 2026 e com carga de 120 horas-aula. A matéria também tem como docente responsável o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Ramos Tavares.
Disciplina aborda democracia e redes sociais
De acordo com a USP, a disciplina foi criada diante da crescente complexidade dos fenômenos provocados pela interação entre novas tecnologias e o sistema jurídico. O conteúdo revisita conceitos e institutos tradicionais do Direito diante das transformações provocadas pelo ambiente digital.
Entre os temas abordados está o impacto das novas tecnologias sobre a democracia e o processo eleitoral.
Segundo a universidade, a democracia representativa enfrenta desafios relacionados à manipulação algorítmica dos eleitores, à disseminação de desinformação e ao fortalecimento de movimentos populistas extremistas nas redes sociais.
A USP destaca ainda que a proteção da igualdade e da liberdade eleitoral exige o desenvolvimento de respostas jurídicas específicas para esse novo cenário, atribuindo à disciplina relevância para discussões contemporâneas envolvendo Direito Constitucional e Direito Eleitoral.
Atuação no Caso Master
A relação acadêmica entre Ramos e Moraes ocorre enquanto o subprocurador foi designado por Paulo Gonet para atuar nas ações relacionadas ao Caso Master.
O vínculo profissional entre os dois, portanto, passa a integrar o contexto em que Ramos exercerá suas funções no caso, embora a atuação acadêmica seja anterior e tenha caráter institucional dentro do programa de pós-graduação da USP.
A escolha de Ramos para atuar nas ações relacionadas ao Banco Master coloca o subprocurador no centro de um caso que envolve investigações, decisões judiciais e diferentes instâncias do sistema de Justiça.
O Caso Master também vem mobilizando ministros do STF e integrantes do Ministério Público Federal, diante da necessidade de analisar documentos, informações e elementos relacionados às operações do banco e às relações mantidas por seus principais envolvidos.