O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi informado por uma fonte confidencial sobre suspeitas de pagamentos indevidos envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e dois então chefes de áreas de supervisão da própria autarquia.
O relato chegou a Galípolo em 7 de janeiro. Na mesma ocasião, o presidente do BC comunicou o conteúdo ao diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, indicando que os fatos poderiam configurar recebimento de propina.
As informações constam de documentos encaminhados pelo Banco Central ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para que os envolvidos fossem investigados. Parte desse material teve o sigilo retirado nesta sexta-feira (11) pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Permanecem sob sigilo elementos relacionados a diligências da PF que ainda não foram realizadas.
Pagamentos e venda de propriedade
Durante a apuração interna, Belline Santana confirmou ter recebido R$ 2 milhões de uma empresa ligada a um operador de Vorcaro. O pagamento teria sido apresentado como remuneração por uma consultoria relacionada a um projeto de inclusão financeira voltado a jovens de baixa renda.
Já Paulo Sérgio de Souza vendeu um sítio localizado em Guaxupé (MG) por R$ 4,5 milhões a um cunhado de Vorcaro. O ex-dirigente do BC afirmou, porém, que só tomou conhecimento do vínculo familiar entre o comprador e o banqueiro no momento da formalização da escritura.
Segundo os documentos, Santana também declarou inicialmente que não sabia que o pagamento recebido estava relacionado a Vorcaro, que naquele período comandava uma instituição financeira diretamente submetida à supervisão do Banco Central.
PF encontrou conversas no celular de Vorcaro
A investigação ganhou novos elementos após a apreensão do celular de Daniel Vorcaro, durante sua primeira prisão preventiva, em 17 de novembro de 2025.
Os investigadores encontraram conversas entre o banqueiro e Belline Santana. Entre as mensagens havia também diferentes versões de um documento referente ao suposto projeto social utilizado para justificar o pagamento.
Na avaliação da Polícia Federal, o projeto teria servido como uma espécie de fachada para encobrir o pagamento feito ao servidor do Banco Central.
Em depoimento, Santana afirmou que, quando foi procurado pelo advogado Leonardo Palhares, apontado como um dos operadores ligados a Vorcaro, teria sido informado de que o interesse era utilizar apenas seu nome e sua imagem, sem que fosse necessária uma participação efetiva na elaboração do projeto.
Corregedoria analisou caso em um dia
Os documentos também mostram que a Corregedoria do Banco Central concluiu em apenas um dia a análise preliminar dos indícios envolvendo Santana e Paulo Sérgio de Souza.
Antes disso, o diretor de Fiscalização já havia determinado o afastamento dos dois servidores por 60 dias.
As suspeitas passaram a ser investigadas tanto internamente pelo Banco Central quanto pela Polícia Federal, que recebeu a documentação encaminhada pela direção da autarquia.
