As eleições de 2026 devem consumir mais de R$ 20 bilhões em recursos públicos, considerando não apenas o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundão Eleitoral, mas também os gastos da Justiça Eleitoral, do Fundo Partidário, da propaganda eleitoral no rádio e na televisão e outras despesas previstas no Orçamento da União.
O Fundão Eleitoral, fixado em R$ 5 bilhões, representa apenas uma parte do total destinado ao processo eleitoral. Criado em 2018 com um orçamento inferior a R$ 2 bilhões, o fundo teve crescimento significativo ao longo dos últimos pleitos e, neste ano, alcançou um valor duas vezes e meia maior do que na estreia.
Como o dinheiro do Fundão é dividido
Todos os partidos registrados recebem uma parcela inicial de aproximadamente R$ 3,3 milhões. O restante é distribuído de acordo com critérios definidos pela legislação eleitoral, levando em conta o desempenho das legendas nas eleições anteriores e sua representação no Congresso Nacional.
A divisão ocorre da seguinte forma:
- 48% são distribuídos conforme o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados.
- 35% dependem da quantidade de votos obtidos pelos partidos para a Câmara.
- 15% consideram a representação das siglas no Senado.
Entre as 30 legendas existentes, 12 partidos concentram cerca de 90% dos recursos.
Os maiores repasses previstos são para:
| Partido | Valor previsto |
| PL | R$ 880 milhões |
| PT | R$ 615 milhões |
| União Brasil | R$ 526 milhões |
| PSB | R$ 152 milhões |
| PSDB | R$ 148 milhões |
| Psol | R$ 131 milhões |
Fundo Partidário e propaganda eleitoral ampliam a conta
Além do Fundão, o Fundo Partidário acrescenta cerca de R$ 1,4 bilhão às despesas. Esses recursos financiam o funcionamento das siglas, incluindo gastos administrativos, salários, aluguel de sedes e outras atividades partidárias.
A propaganda eleitoral gratuita também gera impacto financeiro. Embora os candidatos não paguem pelo tempo de rádio e TV, as emissoras recebem compensação tributária do governo federal. A renúncia fiscal estimada para 2026 é de aproximadamente R$ 1 bilhão.
Desde 28 de agosto, o horário eleitoral ocupa 2 horas e 10 minutos diários na programação das emissoras, distribuídos entre blocos e inserções ao longo do dia.
Justiça Eleitoral concentra a maior parte dos recursos
Os gastos com a estrutura da Justiça Eleitoral representam a maior fatia do orçamento eleitoral.
A previsão é de:
| Órgão ou despesa | Valor previsto |
| Tribunal Superior Eleitoral (TSE) | R$ 4,2 bilhões |
| Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) | R$ 8,4 bilhões |
| Rubrica “Pleitos Eleitorais” no Orçamento da União | Quase R$ 2 bilhões |
Somadas, essas despesas elevam o custo total do processo eleitoral para mais de R$ 20 bilhões.
Custo médio por candidato
Com cerca de 20 mil candidatos inscritos para disputar os cargos em 2026, o custo médio estimado do processo eleitoral chega a aproximadamente R$ 1 milhão por candidato, caso todos permaneçam na disputa até o fim da eleição.
O montante destinado às eleições é equivalente a várias políticas públicas de grande porte e supera, por exemplo, o orçamento anual de diversos programas federais.
