Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria recorrido repetidamente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em busca de intervenção para tentar conter o avanço da Operação Compliance Zero, segundo diálogos extraídos do celular do banqueiro e divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo.
As mensagens, analisadas pela Polícia Federal, indicam que Vorcaro buscava a atuação de Moraes junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O objetivo, segundo a apuração, seria criar uma espécie de proteção contra delegados e procuradores envolvidos nas investigações sobre o Banco Master.
O conteúdo das conversas passou a ser analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Mendonça solicitou esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República sobre as mensagens e avalia os possíveis desdobramentos das informações.
Primeiro pedido teria ocorrido em outubro de 2025
Um dos primeiros contatos identificados nas mensagens ocorreu em 30 de outubro de 2025. Na ocasião, Vorcaro teria pedido a Moraes que acionasse integrantes da cúpula da PF para interferir no andamento das investigações.
Segundo os relatos, o banqueiro queria que a equipe responsável pelas apurações fosse controlada para evitar o que classificou como uma possível “sacanagem”.
Naquele momento, o Banco Master negociava a venda de suas operações para investidores dos Emirados Árabes. Vorcaro demonstrava preocupação com o avanço das investigações e com possíveis medidas contra a instituição.
As conversas indicam ainda que o empresário tinha conhecimento prévio de movimentações relacionadas à Operação Compliance Zero e buscava antecipar possíveis ações das autoridades. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, ele chegou a questionar Moraes sobre medidas da PF e sobre a possibilidade de deixar o país antes de ser preso.
Pedidos envolviam PF e PGR
Em diferentes momentos, Vorcaro teria solicitado que Moraes procurasse Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. A intenção seria obter proteção diante do avanço das investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.
Uma das mensagens analisadas pelos investigadores faz referência à necessidade de “proteção” de Andrei e Paulo, em aparente alusão ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República.
As mensagens também mostram, segundo as reportagens, que Vorcaro buscava adiar ou impedir medidas que poderiam atingir seus negócios. O banqueiro teria demonstrado preocupação com ações da PF, da PGR e também com possíveis decisões do Banco Central.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas relacionadas à gestão do Banco Master e a operações financeiras que, segundo as investigações, poderiam envolver fraudes bilionárias.
Moraes é citado nas investigações
A divulgação dos diálogos aumentou a pressão sobre Alexandre de Moraes. O ministro é apontado nas mensagens como interlocutor de Vorcaro, embora as respostas atribuídas a Moraes não tenham sido integralmente recuperadas em razão do uso de mensagens de visualização única.
A Polícia Federal também identificou outros elementos que aproximam o ministro do caso. Entre eles estão informações sobre contatos pessoais entre Moraes e Vorcaro e a relação comercial entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou, em relação ao contrato com o Banco Master, que realizou procedimentos de compliance e consultou o ministro sobre possíveis impedimentos legais antes de concluir pela inexistência de conflito, uma vez que Moraes não teria julgado processos envolvendo o banco.
Até o momento, Moraes, Andrei Rodrigues, Paulo Gonet e a defesa de Daniel Vorcaro não haviam se manifestado sobre o conteúdo das mensagens divulgadas pelo Estadão.
O caso agora está sob análise de André Mendonça, que poderá decidir sobre os próximos passos da apuração a partir das informações reunidas pela Polícia Federal e da manifestação da PGR.
