Uma terapia experimental apresentou resultados promissores na redução da lipoproteína(a), substância presente no sangue que está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
A concentração elevada de lipoproteína(a), também conhecida como Lp(a), pode aumentar a probabilidade de eventos cardiovasculares. Por isso, tratamentos capazes de reduzir seus níveis vêm sendo estudados como uma possível estratégia para diminuir esses riscos.
Tratamento interrompe produção no fígado
A terapia utiliza uma tecnologia chamada RNA de interferência (RNAi). O mecanismo atua sobre a produção da lipoproteína(a) no fígado, reduzindo a quantidade da substância liberada na circulação sanguínea.
O tratamento experimental, chamado Kylo-11, foi desenvolvido para interromper temporariamente esse processo. Um dos principais aspectos observados nos estudos é que a redução da lipoproteína(a) pode permanecer por meses após o tratamento.
A proposta é diferente de medicamentos que precisam ser administrados continuamente para manter determinado efeito. Ao atuar diretamente no mecanismo responsável pela produção da substância, o tratamento busca prolongar a redução dos níveis de Lp(a).
Por que a lipoproteína(a) preocupa?
A lipoproteína(a) é considerada um importante fator de risco cardiovascular. Níveis elevados podem estar relacionados ao desenvolvimento de doenças que afetam os vasos sanguíneos e o coração.
A quantidade de Lp(a) no organismo é influenciada principalmente por fatores genéticos. Dessa forma, mudanças no estilo de vida, embora importantes para a prevenção cardiovascular, podem ter efeito limitado especificamente sobre os níveis dessa substância.
Essa característica faz com que medicamentos capazes de interferir diretamente em sua produção sejam alvo de pesquisas.
Pesquisa ainda é experimental
Apesar dos resultados iniciais, o Kylo-11 ainda está em fase de desenvolvimento e pesquisa. Portanto, não é possível afirmar que a terapia já possa ser utilizada para prevenir infartos ou AVCs.
Novos estudos serão necessários para avaliar a segurança do tratamento, sua eficácia em diferentes grupos de pacientes e, principalmente, se a redução prolongada da lipoproteína(a) também resulta em uma diminuição dos eventos cardiovasculares.
Caso os resultados sejam confirmados nas próximas etapas de pesquisa, terapias baseadas em RNA de interferência poderão representar uma nova alternativa para pacientes com níveis elevados de lipoproteína(a) e maior risco cardiovascular.
