O governo do Nepal pediu ajuda internacional para reforçar as operações de busca e resgate após uma série de deslizamentos e enchentes que atingiram comunidades próximas à região do Himalaia. O desastre já deixou ao menos 633 mortos e quase 3 mil desaparecidos, segundo dados divulgados pelas autoridades.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou neste sábado (29) que o país solicitou assistência especializada a nações vizinhas diante das dificuldades encontradas pelas equipes de emergência. Entre os reforços estão profissionais enviados pela Índia e pela China.
Segundo o chanceler, 11 especialistas indianos em resgate de pessoas presas em túneis já foram enviados ao país. Novas equipes especializadas também devem chegar da China.
Buscas enfrentam condições extremas
As operações de resgate acontecem em meio a uma situação considerada extremamente difícil. Uma espessa camada de lama cobre diversas áreas atingidas, enquanto estradas e pontes foram destruídas pelas enchentes, dificultando o acesso das equipes.
Em algumas localidades, apenas helicópteros conseguem chegar aos pontos mais afetados. O ministro Shisir Khanal afirmou que as aeronaves nepalesas precisam atravessar desfiladeiros estreitos para alcançar determinadas regiões.
A tragédia também provocou interrupções no fornecimento de energia e dificuldades de comunicação, obrigando moradores e equipes de emergência a recorrerem a geradores e painéis solares.
Centenas de pessoas continuam desaparecidas
No Nepal, 2.426 pessoas permanecem sem contato com familiares ou autoridades. Entre os desaparecidos estão trabalhadores de grandes projetos de infraestrutura, além de turistas, excursionistas e peregrinos que viajavam em direção ao monte Kailash, no Tibete.
No território tibetano, autoridades chinesas registraram sete mortes e 554 desaparecidos. Outros corpos foram encontrados em rios na Índia, que recebem águas provenientes do Nepal.
As autoridades também trabalham para identificar vítimas que continuam sendo retiradas das áreas atingidas. O governo nepalês solicitou ainda o envio de câmaras frigoríficas para preservar os corpos até que os familiares possam ser localizados.
Comunidades foram destruídas
O desastre ocorreu após o colapso de uma geleira provocar uma enorme onda de lama e água, atingindo áreas do Nepal e do Tibete. Casas foram soterradas, pontes destruídas e veículos arrastados pela força das águas.
Sobreviventes relataram a destruição completa de comunidades próximas aos rios. Em algumas localidades, praticamente nenhuma estrutura permaneceu de pé.
Segundo organizações humanitárias, a velocidade com que as águas avançaram surpreendeu moradores e equipes de emergência. A Cruz Vermelha estima que até 93 mil pessoas possam ter sido afetadas pela catástrofe no Nepal.
Risco de novos desastres
As equipes de emergência também monitoram áreas onde grandes volumes de água ficaram represados após os deslizamentos. Existe o temor de que novos rompimentos provoquem outras inundações e dificultem ainda mais as operações de resgate.
O governo também informou que centenas de estrangeiros permanecem desaparecidos. Até o momento, equipes nepalesas já resgataram 187 turistas, entre eles cidadãos da Índia, China, Coreia do Sul, Estados Unidos e países europeus.
Enquanto as buscas continuam, organizações humanitárias começaram a distribuir alimentos e outros itens essenciais às comunidades afetadas. A prioridade das autoridades é localizar sobreviventes, recuperar vítimas e impedir que novas inundações agravem a situação.
As causas exatas do colapso da geleira ainda estão sendo investigadas. Especialistas, porém, apontam que o derretimento acelerado das geleiras associado às mudanças climáticas pode aumentar o risco de eventos extremos em regiões montanhosas.