Uma viagem de seis semanas pela Ásia e pela Austrália terminou de forma trágica para a britânica Linda Kitchen, de 74 anos. Em maio de 2024, ela estava a bordo de um voo da Singapore Airlines que enfrentou uma turbulência severa e perdeu cerca de 54 metros de altitude em pouco mais de quatro segundos.
Dois anos após o episódio, Linda decidiu recorrer à Justiça britânica contra a companhia aérea. Ela apresentou duas ações: uma relacionada aos próprios ferimentos e outra em nome do espólio de seu marido, Geoff Kitchen, que morreu durante o voo aos 73 anos.
O casal viajava no voo SQ321, que havia decolado de Londres com destino a Singapura. Aproximadamente dez horas depois da partida, o Boeing 777-300ER enfrentou uma turbulência extrema enquanto sobrevoava Mianmar.
Segundo dados da investigação, a aeronave sofreu uma rápida perda de altitude. A mudança repentina na força do avião fez com que passageiros e objetos fossem lançados em direção ao teto da cabine antes de caírem sobre assentos e o piso.
Linda relatou que estava usando o cinto de segurança quando percebeu a queda. Segundo ela, o avião pareceu estar despencando. Durante o movimento, ela foi arremessada para trás e para o lado, enquanto Geoff caiu sobre seu corpo e a pressionou contra o apoio de braço.
Outros passageiros conseguiram retirar Geoff do assento. Um médico que estava entre os passageiros tentou reanimá-lo nas proximidades de uma porta de emergência, mas ele não resistiu.
O laudo médico apontou insuficiência cardíaca e acúmulo de líquido nos pulmões como causas da morte.
Passageira sofreu fraturas na coluna
Linda sofreu fraturas na coluna e foi levada em estado grave para um hospital em Bangkok. Durante o período em que permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva, ela perguntava repetidamente pelo marido.
A britânica só foi informada sobre a morte de Geoff dois dias depois.
Depois de dez dias hospitalizada na Tailândia, Linda foi transferida de avião para o Reino Unido, onde continuou o tratamento. O processo de recuperação também exigiu cuidados e auxílio constante em sua residência.
Turbulência deixou dezenas de passageiros feridos
O voo SQ321 transportava 211 passageiros e 18 tripulantes. Conforme o relatório final da investigação, 56 pessoas sofreram ferimentos graves e outras 23 tiveram lesões leves.
Os impactos provocaram diferentes tipos de lesões, incluindo fraturas, compressões e deslocamentos, principalmente na região da cabeça, do pescoço e da coluna. Partes do teto da cabine também foram danificadas pelos passageiros durante a turbulência.
Após o incidente, o avião foi desviado para Bangkok, onde realizou um pouso de emergência. Equipes médicas e ambulâncias aguardavam a aeronave na pista para atender os feridos.
O relatório apontou ainda que o aviso para que os passageiros afivelassem os cintos havia sido acionado apenas 17 segundos antes do início da turbulência severa. Com isso, não teria havido tempo suficiente para que a tripulação realizasse um alerta verbal antes do episódio.
A investigação também levantou questionamentos sobre o radar meteorológico da aeronave. Segundo especialistas citados no caso, não foi completamente descartada a possibilidade de o sistema não ter identificado de maneira adequada a intensidade das condições meteorológicas.
Viúva busca respostas na Justiça
Representada pelo escritório britânico Irwin Mitchell, Linda busca indenização pelos ferimentos sofridos e respostas sobre as circunstâncias que levaram à morte do marido.
“Sei que nada poderá trazer Geoff de volta, mas devo a ele ao menos conseguir respostas”, afirmou a viúva.
Linda e Geoff foram casados por mais de 50 anos e tiveram dois filhos e quatro netos.
Outros passageiros britânicos também ingressaram com ações relacionadas ao voo. A Singapore Airlines informou que não comentará processos que estão em andamento.
Depois do acidente, o diretor-executivo da companhia pediu desculpas aos passageiros pela experiência traumática enfrentada durante o voo.
Com informações de Bacci Notícias.
