O Nepal, conhecido mundialmente por abrigar parte do Himalaia e por sua forte tradição religiosa, vive nesta quarta-feira (26) uma tragédia de grandes proporções. Uma enchente repentina atingiu áreas próximas à fronteira com o Tibete, destruindo comunidades, estradas, pontes e estruturas de infraestrutura e deixando centenas de pessoas desaparecidas. (apnews.com)
A tragédia ocorre em um país cuja população é majoritariamente hindu. Segundo o censo oficial de 2021, 81,2% dos nepaleses são hindus, 8,2% budistas, 5,1% muçulmanos, 3,2% seguem o kirantismo e 1,8% são cristãos. O levantamento contabilizou 512.313 cristãos no país.
Uma minoria cristã em um país de maioria hindu
O cristianismo representa uma parcela pequena da população nepalesa, mas vem apresentando crescimento ao longo das últimas décadas. A presença cristã é formada principalmente por comunidades protestantes, além de católicos e outros grupos cristãos.
A Constituição do Nepal reconhece a liberdade religiosa, mas o país possui uma legislação que restringe determinadas formas de conversão religiosa. Mesmo sendo uma minoria, os cristãos estão presentes em diferentes regiões e grupos étnicos do país.
O censo também mostra que a presença cristã é particularmente significativa entre algumas comunidades das regiões montanhosas e de colinas. Entre determinados grupos étnicos, a proporção de cristãos é bem superior à média nacional.
A tragédia no Himalaia
Na manhã desta quarta-feira, uma gigantesca inundação atingiu a região do rio Bhote Koshi, no norte do Nepal. A força da água e dos detritos atingiu vilarejos, estradas, veículos, pontes e projetos hidrelétricos.
As informações sobre o número de vítimas ainda estão sendo atualizadas. A Associated Press informou inicialmente pelo menos 75 mortos e 403 desaparecidos, enquanto autoridades continuavam as buscas e os números ainda poderiam aumentar.
Uma das principais hipóteses para o desastre é que um terremoto tenha provocado uma avalanche de gelo e rochas, bloqueando o curso de um rio e provocando uma onda repentina de água e detritos. Especialistas também apontam para a vulnerabilidade crescente da região do Himalaia diante do derretimento das geleiras e de eventos climáticos extremos.
Uma região de peregrinação religiosa
O desastre ganhou uma dimensão ainda maior porque a região atingida é utilizada por milhares de pessoas que seguem em direção ao Monte Kailash, no Tibete.
O local é considerado sagrado principalmente por hindus, mas também possui enorme importância para budistas e jainistas. Entre os desaparecidos estão dezenas de estrangeiros que estavam na região em peregrinação.
Embora a tragédia tenha atingido uma área marcada principalmente pelo hinduísmo e pelo budismo, ela também chama atenção para a realidade de um Nepal religiosamente diverso, onde cristãos, muçulmanos, seguidores do kirantismo e outras tradições convivem com as duas maiores religiões do país.
