Uma mina localizada no norte de Goiás deverá assumir papel relevante no mercado internacional de terras raras pesadas nos próximos anos. O projeto Pela Ema, que opera uma jazida de argila iônica em escala comercial, poderá responder por mais da metade da produção desses minerais fora da China até 2027.
A mudança está relacionada à aquisição do projeto pelo grupo norte-americano USA Rare Earth. A operação foi avaliada em US$ 1,5 bilhão, com metade do valor, US$ 750 milhões, financiada pelo governo dos Estados Unidos por meio do Departamento de Defesa durante a administração de Donald Trump.
A conclusão da transação está prevista para o fim de agosto de 2026, após a assembleia de acionistas marcada para o dia 28.
Jazida tem importância estratégica
A operação em Goiás é apontada como a única fonte de argila iônica em escala comercial localizada fora da Ásia. Esse tipo de depósito é importante para a obtenção de terras raras pesadas utilizadas em diferentes setores industriais e tecnológicos.
Entre os materiais extraídos estão quatro minerais utilizados na fabricação de componentes magnéticos. Eles são empregados em equipamentos como motores elétricos, robôs e aeronaves militares, além de outras aplicações de alta tecnologia.
A relevância da mina aumentou diante da disputa internacional pelo controle da cadeia de fornecimento desses minerais. A China possui posição dominante na produção e no processamento de terras raras, o que tem levado Estados Unidos e outros países ocidentais a buscar fontes alternativas.
Estados Unidos financiam aquisição
O investimento de Washington faz parte de uma estratégia para ampliar a oferta de minerais considerados críticos para a indústria e para a defesa.
Com a conclusão da operação, a USA Rare Earth deverá assumir o controle integral do projeto em Goiás. A companhia pretende integrar a produção brasileira a uma cadeia de processamento que também envolve instalações nos Estados Unidos e no Reino Unido.
O presidente-executivo da empresa, Michael Blitzer, destacou a parceria com o governo americano.
“Temos orgulho de continuar nossa forte parceria para construir uma cadeia de suprimentos segura e resiliente”, declarou.
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, o aporte dos Estados Unidos também deverá contribuir para o acesso a tecnologias de processamento e para a integração das estruturas produtivas dos três países.
As negociações entre os investidores tiveram início em abril e avançaram para a etapa final da operação.
Disputa por terras raras
A aquisição do projeto brasileiro ocorre em meio à disputa econômica e tecnológica entre Washington e Pequim pelo controle de minerais estratégicos.
As terras raras são consideradas fundamentais para setores como tecnologia, energia e indústria de defesa. A dependência ocidental da cadeia de produção chinesa tornou a diversificação das fontes de fornecimento uma prioridade para os Estados Unidos.
Com a operação em Goiás, Washington amplia sua participação na cadeia de minerais críticos na América Latina.
A USA Rare Earth já destinou mais de US$ 1 bilhão ao projeto goiano, segundo as informações divulgadas sobre a companhia, com recursos destinados à expansão da produção e ao desenvolvimento da estrutura de processamento.
A expectativa é que a mina aumente sua participação na oferta mundial de terras raras pesadas nos próximos anos e se torne uma das principais fontes desses minerais fora do território chinês.
Com informações de G1