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Início Brasil

Moraes diz que relatório da PF pode ter recebido ajuda de “órgão estrangeiro”

Por Junior Melo
15/set/2026
Em Brasil, STF
LUIS NOVA/METRÓPOLES @LuisGustavoNova

LUIS NOVA/METRÓPOLES @LuisGustavoNova

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o relatório da Polícia Federal (PF) sobre supostas trocas de mensagens entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro teria sido produzido com provável “auxílio de órgão estrangeiro”.

Em manifestação enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, na segunda-feira (14/9), Moraes classificou o relatório apresentado pelo ministro André Mendonça como “nulo e imprestável”. Para ele, o documento representaria uma “clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”.

Moraes também afirmou que a tentativa de incriminá-lo teria relação com uma suposta “vingança” motivada por sua atuação como relator de ações envolvendo integrantes da organização acusada de tentar dar um golpe de Estado e abolir o Estado Democrático de Direito no Brasil.

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“É imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”, escreveu o ministro.

Moraes questiona cadeia de custódia

Segundo Moraes, o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça, pode ter tido como objetivo impedir a apuração sobre a suposta origem externa do relatório.

O ministro também apontou possíveis irregularidades na cadeia de custódia dos dados. O procedimento registra e preserva a trajetória de uma evidência desde sua coleta até a análise, com o objetivo de evitar alterações ou manipulações.

De acordo com Moraes, os metadados do arquivo indicariam que a abertura e a finalização do relatório ocorreram no mesmo dia em computadores da PF. Para ele, isso seria um indício de que o documento teria sido produzido anteriormente fora da corporação e posteriormente inserido nos sistemas da Polícia Federal.

“Os metadados do relatório demostram que a abertura e finalização do relatório foi feita no mesmo dia, ou seja, foi ‘plantado’ nos computadores da PF e não inteiramente produzido por eles”, argumentou.

Moraes afirmou ainda que o relatório contém “inúmeras ilações, mentiras, dados falsos e conclusões absurdas” e que teria sido elaborado a partir de fragmentos de mensagens escolhidos de forma subjetiva.

Segundo o ministro, o material não teria identificado qualquer indício de prática de crime por parte dele.

“Mesmo com todas as ilegalidades produzidas pelo Ministro André Mendonça, o fato mais importante, entretanto, é que o relatório produzido não encontrou nenhuma prática de infração penal por parte do Ministro Alexandre de Moraes”, sustentou.

A manifestação tem 44 páginas e foi apresentada após Fachin abrir, em 3 de setembro, prazo para que Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestassem sobre o caso.

O documento foi apresentado às vésperas da sessão plenária extraordinária desta terça-feira (15/9), convocada para analisar o caso envolvendo as supostas mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Moraes aponta motivação político-eleitoral

Na manifestação, Moraes também afirmou que a atuação de Mendonça teria motivação político-eleitoral. Segundo ele, as investigações teriam sido direcionadas para incriminá-lo e atingir também o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com o objetivo de favorecer determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026.

Um dos argumentos apresentados pelo ministro é o momento em que o relatório teria sido vazado. De acordo com a petição, a divulgação ocorreu na semana anterior aos atos de 7 de setembro e teria sido planejada para impulsionar os chamados “comícios”.

Moraes também relacionou a inclusão de Alcolumbre no caso a uma suposta estratégia para atingir o Senado. Segundo o ministro, o presidente da Casa seria um alvo relevante por sua influência política e pelo controle da pauta de eventuais pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

“Por motivos político-eleitorais, houve direcionamento do magistrado relator para incriminar colega do STF, bem como o Presidente do Senado Federal, e favorecer determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026”, escreveu.

A petição também apresenta a ofensiva como uma suposta vingança de aliados de pessoas condenadas pelo STF por atos relacionados à tentativa de golpe de Estado. Para Moraes, essa estratégia representaria uma mudança no modus operandi adotado após os ataques de 8 de janeiro de 2023.

Com informações de METRÓPOLES

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