A Polícia Federal identificou novas suspeitas envolvendo Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o avanço das investigações relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
A operação foi deflagrada pela PF em abril de 2025 e revelou um esquema que, segundo as investigações, teria desviado bilhões de reais por meio de descontos indevidos em benefícios previdenciários. O caso também levantou suspeitas sobre a participação de empresários, lobistas e servidores públicos.
As novas suspeitas, porém, não estão diretamente relacionadas ao desvio dos recursos dos aposentados. Elas surgiram a partir da análise de mensagens e documentos obtidos pela PF após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a quebra do sigilo telemático da lobista Roberta Luchsinger.
Investigação aponta suposta atuação de Lulinha
Segundo informações obtidas pela revista Veja, os investigadores passaram a suspeitar que Lulinha teria atuado como uma espécie de intermediário para empresários interessados em realizar negócios de grande porte em Brasília.
Entre os nomes que aparecem nas apurações estão o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, a lobista Roberta Luchsinger e Fernando Bittar, amigo e antigo sócio de Lulinha.
Também aparece na investigação Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupou o cargo de chefe de gabinete do presidente Lula.
De acordo com a PF, a análise do material apreendido teria apontado indícios que podem estar relacionados a crimes como corrupção e tráfico de influência. As suspeitas ainda fazem parte da investigação e deverão ser submetidas à análise das autoridades responsáveis pelo caso.
Depoimento já havia citado Lulinha
O nome de Lulinha já havia surgido durante os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada pelo Congresso para investigar as fraudes no INSS.
Na ocasião, uma testemunha afirmou que o filho do presidente teria atuado em parceria com Roberta Luchsinger para facilitar negócios de empresários junto ao governo federal. O relato também relacionava Lulinha ao empresário conhecido como “Careca do INSS”.
O depoimento, entretanto, não teria sido acompanhado de provas que comprovassem as acusações. A CPMI foi encerrada sem avanços conclusivos sobre essas suspeitas, enquanto as investigações da Polícia Federal continuaram.
Novas informações surgiram após quebra de sigilo
Com a autorização do STF para acessar os dados armazenados em nuvem de Roberta Luchsinger, os investigadores encontraram mensagens e documentos que levaram a novas linhas de apuração.
A PF passou a analisar a possível existência de uma estrutura de intermediação de negócios envolvendo empresários interessados em contratos ou projetos junto ao governo federal.
As suspeitas ainda precisam ser esclarecidas no decorrer do inquérito. Até o momento, a existência de indícios investigativos não significa que os envolvidos tenham sido considerados culpados ou que os crimes tenham sido comprovados judicialmente.
