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Ex-assessor de Fauci confessa esquema para ocultar e-mails sobre a Covid-19

Por Junior Melo
19/ago/2026
Em Mundo
Anthony Fauci: Ex-assessor do médico admitiu ter ocultado comunicações ligadas a pesquisas sobre coronavírus e à origem da Covid-19. (Foto: Ken Cedeno/EFE/EPA)

Anthony Fauci: Ex-assessor do médico admitiu ter ocultado comunicações ligadas a pesquisas sobre coronavírus e à origem da Covid-19. (Foto: Ken Cedeno/EFE/EPA)

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David Morens, ex-alto funcionário do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) e antigo assessor do médico Anthony Fauci, se declarou culpado de participar de um esquema para ocultar comunicações oficiais relacionadas às pesquisas sobre coronavírus e às discussões sobre a origem da Covid-19.

A informação foi divulgada nesta terça-feira (18) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Aos 78 anos, Morens admitiu uma acusação de conspiração para cometer crimes e fraudar os Estados Unidos. Ele pode receber uma pena de até cinco anos de prisão.

Segundo o Departamento de Justiça, o esquema tinha como objetivo evitar que e-mails e documentos relacionados às pesquisas sobre coronavírus, à origem da Covid-19 e ao financiamento de um projeto que envolvia o Instituto de Virologia de Wuhan, na China, fossem obtidos por meio da Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos, conhecida como FOIA.

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As autoridades também afirmam que a conduta teria violado regras federais que determinam a preservação de documentos produzidos por funcionários públicos.

Uso de conta pessoal

Morens trabalhou entre 2006 e 2022 como assessor sênior no gabinete da direção do NIAID, órgão que durante grande parte desse período foi comandado por Fauci. O médico permaneceu à frente do instituto por quase quatro décadas.

Em depoimentos prestados ao Congresso, Fauci afirmou que Morens não atuava como seu assessor em assuntos relacionados à política institucional ou outras questões substantivas. O médico também reconheceu que algumas das condutas atribuídas ao ex-funcionário foram inadequadas.

De acordo com a confissão apresentada à Justiça, Morens e outros envolvidos teriam concordado em ocultar determinadas comunicações porque consideravam que elas poderiam ser solicitadas por meio da FOIA.

Para isso, segundo os investigadores, Morens utilizou sua conta pessoal do Gmail em vez do endereço oficial do NIH para trocar mensagens relacionadas ao trabalho.

A conta particular teria sido usada para compartilhar informações internas e não públicas do instituto, discutir esforços para tentar recuperar o financiamento de uma organização de pesquisa, revisar correspondências destinadas à direção do órgão e transmitir informações por meios informais a um alto funcionário do NIAID.

Os promotores sustentam que as comunicações estavam relacionadas às funções oficiais de Morens e, portanto, deveriam ter sido preservadas nos sistemas do governo.

Financiamento de pesquisas em Wuhan

O caso também está relacionado a uma bolsa de pesquisa chamada Understanding the Risk of Bat Coronavirus Emergence.

Segundo o Departamento de Justiça, o financiamento foi concedido pelo NIAID a uma organização americana, que posteriormente repassou parte dos recursos ao Instituto de Virologia de Wuhan.

O NIH cancelou a bolsa em meio às discussões sobre a possibilidade de a Covid-19 ter surgido a partir de um vazamento de laboratório em Wuhan.

De acordo com a acusação, após o encerramento do financiamento, Morens e outros envolvidos teriam trabalhado para tentar restabelecer os recursos e, simultaneamente, contestar a hipótese de que o coronavírus tivesse escapado de um laboratório.

Benefícios pessoais

A confissão também menciona o recebimento de benefícios pessoais. Conforme o Departamento de Justiça, um dos participantes do esquema teria enviado vinho para a residência de Morens como forma de agradecimento por sua atuação nos bastidores.

O ex-assessor também teria recebido propostas de outros benefícios, incluindo refeições em restaurantes de alto padrão em Paris, Nova York e Washington.

Segundo a acusação, Morens relacionou esses benefícios à produção de um material científico para uma revista médica no qual defenderia a tese de que a Covid-19 tinha origem natural.

Para os promotores, a publicação poderia favorecer pessoas e organizações interessadas em contestar a hipótese de um vazamento de laboratório.

Prisão e acusações

Morens foi preso em 27 de abril, em sua residência em Chester, Maryland, após agentes federais cumprirem um mandado relacionado às acusações envolvendo a ocultação de registros públicos.

Ele foi levado ao Tribunal Federal em Greenbelt, onde passou pelos procedimentos de identificação e permaneceu detido até ser liberado no mesmo dia, mediante compromisso de comparecimento à Justiça.

Quando foi indiciado, em abril, Morens respondia a cinco acusações. Entre elas estavam conspiração, destruição de registros durante uma investigação federal e ocultação de documentos.

Fauci volta a ser questionado no Congresso

Anthony Fauci também voltou ao centro das discussões sobre a resposta dos Estados Unidos à pandemia. Em um novo depoimento no Senado americano, o médico se recusou a responder a diversas perguntas relacionadas à atuação das autoridades de saúde durante a crise da Covid-19.

Fauci invocou repetidamente a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, dispositivo que protege o indivíduo contra a obrigação de produzir provas que possam incriminá-lo.

A postura provocou reação de parlamentares republicanos, que aprovaram o encaminhamento de uma acusação de desacato ao Congresso. O senador Rand Paul também afirmou que pretendia encaminhar o caso ao Departamento de Justiça.

Fauci já era alvo de investigações do Congresso relacionadas à sua atuação durante a pandemia, incluindo questões sobre a origem da Covid-19, pesquisas com coronavírus e o financiamento de projetos associados ao Instituto de Virologia de Wuhan.

Em 2024, o médico prestou aproximadamente 14 horas de depoimento a uma comissão da Câmara dos Representantes e posteriormente participou de uma audiência pública no Congresso.

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